07/06/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Relatório dos EUA afirma que emissões irão crescer

Pela primeira vez no governo Obama é realizado um estudo sobre as mudanças climáticas para ser encaminhado às Nações Unidas e o resultado dele mostra que a liberação de gases do efeito estufa ainda subirá 4% até 2020 no país

Desde 2006 os Estados Unidos não produziam um balanço de suas políticas climáticas e os principais resultados do U.S. Climate Action Report 2010, um documento com quase 200 páginas que foi publicado nesta terça-feira (1), não são nada positivos. O relatório registrou um aumento de 17% nas emissões entre 1990 e 2007 e ainda projeta o crescimento de 4% delas até 2020. Os EUA são responsáveis por um quinto de todas as emissões do planeta, ficando atrás apenas da China.

O grande culpado pelo crescimento das emissões no período foi o setor energético, fortemente baseado em carvão. Assim, o CO2 produzido pela queima de combustíveis fósseis é responsável por 80% de todos os gases do efeito estufa liberados pelos EUA. Apesar do país estar investindo em fontes alternativas, isso não refletirá de maneira rápida na quantidade de emissões e por isso a expectativa é que elas sigam crescendo pelos próximos anos.

Além do CO2, o relatório aponta que os hidrofluorcarbonos (HFCs) terão cada vez mais relevância na matemática das emissões. Atualmente os HFCs equivalem a apenas 2% do total dos gases do efeito estufa, mas é previsto que eles cheguem a 30% até 2050.

O U.S. Climate Action Report 2010 afirma que isso é uma conseqüência infeliz do Protocolo de Montreal, assinado em 1987 para combater o buraco da camada de ozônio e que promoveu o uso dos HFCs no lugar dos clorofluorcarbonos (CFC).

“Uma boa parte do crescimento das emissões dos EUA será motivada pelos HFCs, que devem mais que dobrar entre 2005 e 2020”, afirma o relatório.

Acordo Climático

A administração Obama afirma no documento estar comprometida com as negociações climáticas e pede para que as demais nações industrializadas acelerem seus esforços para ajudar os países que mais irão sofrer os impactos das mudanças climáticas.

O relatório afirma ainda que os EUA irão contribuir com sua parte nos US$ 30 bilhões prometidos para a adaptação climática até 2012. Isso significaria mais que o triplo do que o país disponibilizou em recursos em 2009.

Esse fundo de US$ 30 bilhões é um dos elementos chave do Acordo de Copenhague, costurado pelos EUA e os países do BASIC (Brasil, África do Sul. Índia e China) ao final da conferência do clima na Dinamarca em dezembro do ano passado.

O U.S. Climate Action Report 2010 ainda promete a adesão dos EUA na criação de um fundo de US$ 3,5 bilhões para a preservação florestal e a liberação de cerca de US$ 2 bilhões para as pesquisas climáticas.

Todo esse ímpeto em querer participar das ações globais contrasta com o fato de que as emissões dos Estados Unidos subiram também por causa de sua não adesão ao Protocolo de Quioto. Através dele, outras 37 nações industrializadas tiveram suas emissões reduzidas desde 1990.

Fabiano Ávila

Por: CarbonoBrasil/Agências Internacionais