24/05/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Jornada Agroecológica quer por fim à utilização de agrotóxicos

A agroecologia baseia-se em três propostas para disseminar seus benefícios à comunidade: socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.

É neste clima que iniciou na quarta-feira, 19, e terminou sábado, em Francisco Beltrão, a 9ª Jornada de Agroecologia, evento que reúne pequenos agricultores, assentados, sem terras, entidades sindicais e pequenas cooperativas, com a finalidade de desenvolver um novo projeto para agricultura no Brasil, que favoreça a agricultura familiar, solidária e de preservação ambiental, ao invés de beneficiar as práticas dos grandes latifúndios e empresas.

“O projeto visa denunciar esse modelo das grandes empresas, que só gera doença e, ao mesmo tempo, fazer propaganda, informar a população e explicar tudo o que os agricultores estão fazendo por uma agricultura mais soberana”, afirma Roberto Baggio (foto), um dos organizadores do evento.

Dentre os pontos que foram debatidos neste ano está a utilização de sementes transgênicas e de agrotóxicos na produção das lavouras, prática condenada pelo movimento agroecólogico.“Todo modelo que aí está e toda a estrutura do Estado, está formada, orientada e formatada para privilegiar só a agricultura química, do veneno, então há de se fazer toda uma luta em nível de Brasil, de estado, de região, para ir mudando essa cultura das transnacionais”, diz Baggio.

Ele completa que “este novo projeto de agricultura, dos pequenos, familiares, da reforma agrária, está ganhando espaço, ganhando corpo e nós estamos avançando, e na medida em que nós formos avançando, esse conjunto de obstáculos vão sendo superados e haverá o avanço da agroecologia como a grande matriz do futuro”.

Jornada

Esta é a 9ª edição da Jornada da Agroecologia, que encerra neste ano seu ciclo. O movimento foi realizado em vários estados do país, sendo o Sudoeste já pela segunda vez escolhido exatamente pelo modelo de agricultura que predomina na região: pequenas propriedades e com diversificação de produção. Nesta quarta, os participantes da Jornada realizaram a Marcha pela Agroecologia, percorrendo as ruas da cidade e divulgando o evento, que termina sábado.

Ao todo são cerca de 3 mil pessoas ligadas aos movimentos agrários que participam da Jornada, que acontece no centro de Eventos de Francisco Beltrão. A Jornada teve a primeira edição em 2001, período em que pouco ou nada se falava em agroecologia.

Debates, atos públicos e 40 oficinas relacionadas ao tema fizeram parte da programação. Durante todo o evento, funcionou no local uma feira de produtos agroecológicos, troca de sementes e um túnel do tempo sobre o desenvolvimento da agricultura. João Pedro Stédile, líder do MST e Plínio de Arruda Sampaio, ativista político pré-candidato à Presidência pelo PSOL foram alguns dos palestrantes.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar corresponde a 84,4% das unidades rurais do país. São cerca de 4,36 milhões de propriedades que envolvem em média a mão de obra de quatro trabalhadores por estabelecimento.

Por: AQUISudoeste