29/04/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Catástrofe nos EUA: Vazamento é 5 vezes maior que o estimado

Depois de uma plataforma de exploração de petróleo da britânica British Petroleum ter explodido no dia 20 de abril e naufragado no dia 22 no Golfo do México, com o desaparecimento de 11 trabalhadores, equipes de emergência da Guarda Costeira dos EUA tentam agora queimar o petróleo espalhado no mar. A gigantesca mancha, há horas de atingir a costa de Louisiana, é cinco vezes maior que a estimativa feita pelas autoridades.

A secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, disse em entrevista coletiva que decretar o estado de "catástrofe nacional" permite ao governo mobilizar mais recursos para fazer frente ao vazamento. Representantes da administração Obama declararam que a mancha de óleo deverá chegar ao litoral na noite de sexta-feira (30), atingindo o delta do Rio Mississippi.

Equipes de emergência iniciaram na quarta-feira (28) a queima controlada do petróleo, tentando atrasar a chegada do óleo à costa do Estado americano da Louisiana. Imagens de satélite da Nasa mostram que o derramamento tem cerca de 2.500 quilômetros quadrados de área, duas vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

O oficial da Guarda Costeira Cory Mendenhall explicou que os incêndios controlados buscam atenuar os efeitos do vazamento provocado pelo afundamento da plataforma petroleira diante da costa americana, na última quinta-feira (22).

"A mancha de óleo é incendiada com uma pequena boia que se desloca pela mancha e a inflama. A queima ocorre satisfatoriamente", afirmou. No entanto, fortes ventos fizeram a operação ser imobilizada nesta quinta-feira.

Problemas ambientais

A decisão desesperada de atear fogo à maré negra foi adotada após a mancha chegar a cerca de 40 km dos pântanos da Louisiana, hábitat de diversas espécies selvagens. A queima da mancha de petróleo para proteger a costa provocará mais problemas ambientais, criando enormes nuvens de fumaça tóxica e deixando resíduos no mar.

Uma frota de barcos da Guarda Costeira e da companhia britânica de petróleo British Petroleum (BP) tenta levar as partes mais densas da mancha para uma barreira flutuante resistente ao fogo.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) americana advertiu mais cedo que os fortes ventos sudeste previstos para os próximos dias poderão empurrar a maré negra para os pântanos da Louisiana.

A plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, afundou na última quinta-feira a 240 km a sudeste de Nova Orleans, dois dias depois de uma explosão que deixou 11 trabalhadores desaparecidos.

O governador de Louisiana, Bobby Jindal, citou a catástrofe do furacão Katrina, que devastou o sul do Estado em agosto de 2005, e disse que o Estado deve se preparar para mais uma catástrofe.

"Devemos esperar o melhor, mas preparados para o pior. Estamos fazendo todo o possível para proteger o sustento de nossos cidadãos que ganham a vida com a indústria pesqueira e para defender a fauna e a flora que vivem em nossas áreas costeiras", observou.

Implicações políticas

Na última terça-feira (27), as tentativas de fechar dois focos de vazamento no oleoduto ligado à plataforma, realizadas por quatro submarinos robotizados a 1.500 m profundidade fracassaram, levando à adoção da drástica alternativa do incêndio.

A BP iniciou uma operação para diminuir os danos, mas ainda não tem indícios do que pode ter provocado o acidente. Segundo o presidente da empresa, Tony Hayward, a BP levou para a área 32 navios, duas plataformas, cinco aviões e mais de mil trabalhadores para tentar conter a tragédia.

O acidente tem implicações políticas, já que muitos setores estadunidenses se opõem à exploração de petróleo nas costas, por temor a vazamentos que coloquem em risco a economia da região e a indústria turística.

Deputados da região de Tampa, a democrata Kathy Castor e o republicano Bill Young, disseram que os planos da administração Obama ameaçam a economia da Flórida. Obama pretende explorar petróleo a até 160 km da costa do Estado.

"A indústria da pesca, do turismo, a saúde do meio ambiente do golfo estarão todas em perigo por essa maciça exploração a apenas 150 km da Flórida", escreveram os dois. Um documento assinado por eles circulou por todos os representantes do estado no Congresso, enquanto os dois passam a recolher assinaturas para deter os planos da administração Obama.

A maior catástrofe com petróleo ocorrida nos Estados Unidos foi protagonizada pelo cargueiro Exxon Valdez, que derramou em 1989 419.100 barris de petróleo diante da costa do Alasca.

Por: Vermelho