29/04/2010 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Enfrentamento a projetos desenvolvimentistas na Amazônia deve ser unificado

Um espaço de debate sobre a legislação ambiental e fundiária e sobre o avanço dos grandes projetos na região amazônica. Assim foi o Seminário Nacional "Os impactos dos grandes projetos na Amazônia e as mudanças na legislação ambiental e fundiária", realizado de segunda-feira (26) até hoje (29), em Belém, no Pará (região Norte do país).

Para Dirceu Luiz Fumagalli, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e membro da coordenação do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, o evento foi um marco no processo de articulação dos movimentos sociais e na estratégia de fortalecimento da articulação das organizações na luta contra os grandes projetos na região.

De acordo com ele, os participantes dos noves estados que pertencem à Amazônia Legal saíram do Seminário com quatro eixos de propostas: o fortalecimento da articulação dos movimentos; a ideia de criar um observatório para analisar os impactos da legislação sobre regularização fundiária na Amazônia; o aprofundamento da discussão dos eixos de enfrentamento aos grandes projetos desenvolvimentistas na região; e o Plebiscito de iniciativa popular pelo Limite de Propriedade de Terra, que ocorrerá em setembro deste ano.

Fumagalli ressalta a importância dos movimentos que lutam contra os diversos projetos desenvolvimentistas na região se articularem. Isso porque, na visão dele, todas essas grandes obras estão interligadas. "Tem que se fazer uma leitura mais unificada desses projetos", afirma.

Segundo ele, todas essas obras também estão relacionadas entre si e, por isso, a importância da resistência a esses projetos não ser pontual. "As hidrelétricas estão articuladas com a mineração, que está articulada com a ferrovia e a hidrovia, e por aí vai", demonstra.

E, justamente por conta disso, que ele acredita que as lutas dos movimentos sociais devem também estar unificadas. "O enfrentamento não pode ser isolado", opina, ressaltando que é preciso uma maior discussão e articulação enquanto movimento.

Na avaliação do coordenador da CPT, todos esses projetos que vêm sendo implantados na região amazônica são, na verdade, continuidade da forma de ocupação realizada na época da ditadura militar. "A estratégia de ocupação é semelhante a do governo militar", considera.

Uma dessas grandes obras desenvolvimentistas é no projeto construção da usina de Belo Monte, no Pará. "Ele [projeto de Belo Monte] explicita o modelo energético sem o respeito aos direitos humanos, somente visando ao lucro", exemplifica, acrescentando que o modelo de desenvolvimento para a região Amazônica não deve ser esse, mas sim um modelo baseado no bem viver, no respeito ao meio ambiente e às comunidades que vivem na região.

Karol Assunção

Por: Adital