16/12/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Ambientalistas exigem reparações pela dívida climática

Ativistas ambientais de diversas partes do mundo realizaram no dia 15, em Copenhague, Dinamarca, uma manifestação exigindo que os governos reparem a dívida climática dos países industrializados. Em frente ao Bella Center, onde ocorrem as negociações das Nações Unidas para o clima, os manifestantes ainda exigiram a saída do banco Mundial das decisões. A 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção-Quadro da ONU sobre a Mudança do Clima ocorre de 7 a 18 de dezembro.

"Paguem a dívida climática", "Banco Mundial fora do clima", "muda o sistema, não o clima" eram alguns dos cantos que os manifestantes gritavam diante do corredor de entrada onde circulavam representantes dos governos.

O objetivo central do ato foi exigir que os governos não adotem as "falsas soluções" até agora propostas e que exijam dos países mais industrializados - como Estados Unidos, Inglaterra e Japão - o pagamento de reparações pela dívida climática aos povos do sul, aos países em desenvolvimento e às comunidades marginalizadas.

"Agora é o momento para que o norte limpe e retorne aos povos do sul, o espaço atmosférico que tem contaminado através do seu modelo de desenvolvimento baseado no consumo de combustíveis fósseis e o desprezo total pelos direitos dos povos e da mãe terra", disse Beverly Keene, coordenadora internacional do Jubileu Sul.

Os manifestantes pediram aos governos que não aceitem o papel do Banco Mundial no financiamento climático. "O financiamento não deve adotar a forma de novos empréstimos e outras dívidas, como, tampouco, gerar novos instrumentos que só trariam mais danos e cargas sobre os povos do sul", agregou Milo Chanchullo, da Coalizão pela Liberação da Dívida das Filipinas.

Para os ambientalistas, os governos devem abordar as causas que produzem a mudança climática e entendê-lo como parte da dívida ecológica. Deve-se considerar a responsabilidade que os países do Norte têm, suas instituições e as corporações pela apropriação e controle dos recursos naturais e a destruição do planeta como conseqüência seus padrões de consumo e produção.

A manifestação foi convocada por organizações como o Jubileu Sul e a asiática Coalizão pela Liberação da Dívida. Estiveram também a Aliança Social Continental, o Fórum por um Desenvolvimento Alternativo da África, Amigos da Terra Internacional, a rede Justiça Climática Já e OilWatch Internacional, entre muitas outras.

Tribunal dos povos para o clima

Os ambientalistas que participaram do protesto são da Ásia, África, América Latina e Caribe e chegaram a Copenhague para participar das atividades do KlimaForum, espaço das organizações sociais, paralelo à COP 15. Somente 20 minutos separam as instalações do Bella Center do KlimaForum, mas uma distância mais larga parece se abrir à hora de abordar a problemática da mudança climática.

No KlimaForum, os ambientalistas estão debatendo sobre a consolidação de um Tribunal dos Povos sobre a Dívida Ecológica e a Justiça Climática. Entre os objetivos, está o de denunciar as propostas que geraram acumulação de novas dívidas financeiras e ecológicas, como o papel que pretende ter o Banco Mundial no financiamento climático.

Com o Tribunal, o grupo ainda tentaria garantir as reparações, identificar os impactos e as vítimas da mudança climática e, por último, conseguir sancionar os responsáveis.

Com informações do Jubileu Sul

Por: Adital