26/11/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Aids: Cerca de 33,4 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV

Apesar da diminuição de novos casos de pessoas com o vírus HIV, a cifra ainda permanece alta. Somente no ano passado, cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo possuíam o vírus no sangue. O número, de acordo com o relatório mundial sobre a epidemia da Aids, é o mais alto de todos os tempos.

Segundo o relatório, divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UnAids) e pala Organização Mundial de Saúde (OMS), apesar da grande quantidade de pessoas com o vírus, o número de novos casos reduziu. Em 2008, 2,7 milhões de pessoas se infectaram com o vírus, cifra 17% mais baixa dos últimos oito anos.

Entre os anos 2000 e 2008, o número de pessoas com o vírus HIV cresceu em 20%. Para o estudo, esse crescimento deveu-se a dois fatores: ao aumento da taxa de novas infecções e aos resultados positivos da terapia antirretroviral. Apesar do tratamento, a Aids ainda é uma das principais causas de morte no mundo. No ano passado, cerca de dois milhões de pessoas faleceram por doenças relacionadas como HIV.

Isso porque, apesar dos tratamentos e da prevenção da transmissão de mãe para filho, nem todos têm acesso a esses serviços. De acordo com a pesquisa, atualmente, de cada cinco pessoas infectadas no mundo, somente duas conseguem o tratamento.

O relatório das organizações destaca ainda os casos de mulheres com HIV. Das 33,4 milhões de pessoas que possuíam o vírus no ano passado, 15,7 milhões eram mulheres. De acordo com a pesquisa, nos países com maior número de pessoas com Aids, prevalece os casos entre a população feminina.

É o que acontece, por exemplo, nos países da África Subsaariana, região mais afetada pelo HIV. Segundo a pesquisa, das pessoas infectadas, 60% são mulheres e meninas. Isso porque, além de serem fisiologicamente mais vulneráveis a transmissão sexual, as mulheres, nessa região, enfrentam desvantagens sociais, legais e econômicas.

Pesquisas revelam que muitas mulheres são vítimas de violência física e sexual, fator relevante para a prevalência da Aids nessa região. As mulheres também apresentam tendência maior em relacionar-se com homens mais velhos, fato que, segundo o estudo, pode explicar o motivo de o número de meninas entre 15 e 24 contaminadas com vírus HIV no sul da África ser três vezes maior que o dos meninos da mesma idade.

O número de mulheres infectadas com o HIV também é alto na Ásia, continente com a segunda maior taxa de infecções. De acordo com a pesquisa, no ano passado, 35% das pessoas contaminadas eram mulheres, enquanto que em 2000 a taxa era de 19%.As trabalhadoras do sexo são as mais vulneráveis ao vírus. Além de lidar com o risco de contaminação, sofrem com a estigmatização e a discriminação.

América Latina

Nesta região, dois milhões de pessoas apresentam o vírus HIV no sangue. Apesar de o número de infecções ser predominante nos homens, nos últimos anos, a diferença entre homens e mulheres com o vírus diminuiu. Em 1990, por exemplo, o número de homens infectados no Peru era 12 vezes maior que o de mulheres. No ano passado, a diferença caiu para três.

A pesquisa destaca a região pelo aumento de estratégias de prevenção a Aids. No entanto, revela que ainda existem poucos programas destinados a população de maior risco, ou seja, a: homossexuais, usuários/as de drogas injetáveis e trabalhadores/as do sexo.

Em relação ao tratamento antirretroviral, o relatório revela que aumentou o numero de grávidas com acesso ao tratamento. Em dezembro do ano passado, 54% das mulheres grávidas portadoras do HIV recebiam o tratamento enquanto que, em 2004, somente 23% tinha acesso.

O informe completo em inglês está disponível em: http://data.unaids.org/pub/Report/2009/2009_epidemic_update_en.pdf

Aids recua nos grandes centros, mas avança no interior do Brasil

Paula Laboissière

Repórter da Agência Brasil

Marcello Casal Jr/ABr

Brasília - A diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, divulga o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009. O documento reúne os dados nacionais sobre aids e sífilis congênita

Brasília - Balanço divulgado hoje (26) pelo Ministério da Saúde mostra que os casos de aids no Brasil diminuíram nos grandes centros urbanos, mas aumentaram em cidades do interior do país. Dados indicam que, de 1997 a 2007, a taxa de incidência da doença dobrou em municípios com menos de 50 mil habitantes.

A análise foi feita com base em casos registrados em 4.867 cidades onde foi notificada pelo menos uma ocorrência da doença (87,5% do total de municípios no país).

De acordo com a pesquisa, a queda nos grandes centros urbanos entre 1997 e 2007 foi de 15%, com a taxa de incidência passando de 32,7 notificações para cada 100 mil habitantes para 27,4. Ao todo, 24 dos 39 municípios com mais de 500 mil habitantes registraram queda da doença considerada significativa. Ainda assim, eles concentram 52% dos casos de aids no país – 283.191 no total.

As cidades do interior do país, em 1996, apresentavam índices oito vezes menores que os dos grandes centros. Mas, em 2007, os números passaram a ser apenas três vezes menores. A taxa de incidência nessas localidades subiu de 4,4 para cada 100 mil habitantes para 8,2 e o interior do Brasil já concentra 15,4% dos casos de aids.

Dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes que apresentaram maior taxa de incidência da doença, os 20 primeiros estão na Região Sul. Em primeiro lugar no ranking está a cidade de Porto Alegre, com taxa de incidência de 111,5 por 100 mil habitantes, seguida por Camboriú, em Santa Catarina, com 91,3.

"O que se observa hoje é uma estabilização com tendência de crescimento. O Rio Grande do Sul ainda tem mais do que o dobro da média do Brasil na categoria disposição do uso de drogas injetáveis, isso também pode se uma explicação”, disse a diretora do Departamento Nacional de DST/AIDS e Hepatites Virais do ministério, Mariângela Simão.

A tendência de crescimento da aids em cidades menores e a queda nos grandes centros, de acordo com o balanço, também foi confirmada nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Já o Norte e Nordeste apresentam aumento da taxa de incidência tanto em municípios grandes quanto em pequenos.

Mariângela ressaltou ainda que há uma preocupação grande com a Região Norte, principalmente com os estados de Roraima e do Amapá. “Essas regiões preocupam porque a Guiana Inglesa [atual Guiana], o Suriname e a Guiana Francesa, que fazem fronteira com o país, têm dez vezes a incidência que tem o Brasil e é uma epidemia diferente", disse a diretora, ao destacar que a migração nessa região é muito intensa.

Dados preliminares do ministério indicam que, de 1980 até junho deste ano, foram registrados 544.846 casos de aids no Brasil, além de 217.091 mortes provocadas pela doença. Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos. A estimativa é que 630 mil brasileiros já foram infectados pelo HIV em todo o país.

Entre os casos acumulados de 1980 até junho de 2009, a Região Sudeste concentra o maior percentual (59,3%), com 323.069 registros da doença. O Sul registra 19,2% dos casos, com 104.671 notificações; o Nordeste tem 11,9%, com 64.706; o Centro-Oeste 5,7%, com 31.011; e o Norte 3,9%, com 21.389.

Por: Adital/Agencia Brasil