11/11/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Em Brasília, trabalhadores marcham pela redução da jornada para 40h

Neste dia 11 de novembro Brasília foi a será sede da Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. A passeata, que já chegou à 6º edição, tem como finalidade fortalecer a luta por mais e melhores empregos, por uma distribuição de renda mais igualitária, por qualidade de vida para todos e pelo desenvolvimento do Brasil. A estimativa da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Nacional é que estejam presentes entre 30 e 35 mil pessoas de todas as partes do país.

"Nossa reivindicação central é a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, no entanto também vamos tratar de outros temas na Câmara e no Executivo como a defesa do marco regulatório do pré-sal, a modificação da Lei do Petróleo e a precarização das condições de trabalho", afirmou Quintino Severo, coordenador da Marcha e secretário geral da CUT.

Para Quintino, a redução da jornada de trabalho deverá trazer vários benefícios para o trabalhador e não irá afetar a lucratividade dos empresários. "A redução das horas de trabalho traz dois benefícios principais que são o aumento no número de empregos e a melhora na saúde dos trabalhadores, que estão adoecendo pelo ritmo intenso de trabalho. Além disso, será possível estudar, ir ao cinema, ter atividades de lazer, ou seja, realizar ações que geram lucro para os empresários", afirma.

Quintino explicou ainda que esta redução praticamente não causará impactos econômicos. "Não haverá impacto para o setor público pois a classe já trabalha 40h semanais e também para os empresários os impactos serão muito pequenos, dado o ganho de produtividade que tiveram nos últimos anos", avalia.

Também fazem parte da pauta unificada das centrais sindicais a aprovação do Projeto de Lei (PL) 01/07, que efetiva a política de valorização do salário mínimo; a ratificação das convenções 151 (sobre a garantia de negociação coletiva no serviço público) e 158 (que coíbe a demissão imotivada) da Organização Internacional do Trabalho; a aprovação da PEC 438, contra o trabalho escravo; a retirada imediata do PL 4302/98 e do PL 4330/04 (sobre a terceirização) e o repúdio às tentativas de criminalização dos movimentos sociais.

A concentração para a Marcha terá início às 7h no estacionamento do estádio Mané Garrincha e às 9h os manifestantes deverão descer em passeata até o Congresso Nacional. O ato de encerramento será realizado às 11h em frente à Esplanada dos Ministérios. Ainda na quarta-feira, além da Marcha haverá também um ato diante do Superior Tribunal Federal (STF) contra o interdito proibitório e a criminalização dos movimentos sociais.

A agenda de lutas dos trabalhadores teve início antes mesmo da Marcha. Desde domingo (8) à noite, cerca de 300 militantes da base da CUT estão acampados nas dependências do Minas Brasília Tênis Clube para aumentar a mobilização e a pressão sobre os parlamentares para que votem a pauta proposta pela classe.

A primeira iniciativa dos trabalhadores acampados foi a realização de um ato público em frente à sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para exigir dos empresários o apoio à implantação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que busca diminuir os acidentes de trabalhos. "A mobilização foi realizada porque a CNI voltou atrás e decidiu votar contra o FAP", esclarece Quintino.

Após este ato, os trabalhadores seguiram para a rodoviária de Brasília, onde fizeram uma panfletagem e explicaram aos transeuntes a pauta de reivindicações da 6ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora.

Já nesta terça-feira, logo pela manhã, a atividade prevista foi a ocupação do aeroporto para receber os deputados. Outra parte da delegação seguiu para uma audiência pública no Senado que tratou sobre o trabalho penoso no ramo avícola. Ainda hoje, haverá também, às 14h30, uma audiência na Câmara a respeito da atualização dos índices de produtividade da terra e em defesa da reforma agrária.

Natasha Pitts

Por: Adital