24/10/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Pesquisas revelam que jovens brasileiros ingerem álcool cada vez mais cedo

Pesquisas realizadas por diversas entidades ligadas ao estudo de drogas e álcool revelam que os jovens estão ingerindo álcool cada vez mais cedo. O motivo: curiosidade e diversão. Aliado a isso, o acesso aos mais variados tipos de informação e a facilidade em obter bebidas alcoólicas facilita o hábito de beber.

Outro fator que merece atenção é o exemplo que os jovens têm dentro da própria família. Uma pesquisa feita pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), órgão ligado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, mostrou que metade dos adolescentes que faz uso abusivo de bebidas alcoólicas tem pai ou mãe que ingere álcool com frequência.

Para obter os resultados foram ouvidos 512 meninos, com idade entre 12 e 17 anos. Com as respostas foi constatado que 22% deles começaram a beber aos treze anos e 15%, aos onze anos de idade.

O Centro Brasileiro de Informação sobre drogas psicotrópicas (Cebrid), por exemplo, divulgou que nos últimos quatro anos aumentou em 50% o número de mulheres que ingerem bebidas alcoólicas no Brasil; o que chama a atenção é que essas mulheres são cada vez mais novas, com idade entre 12 e 17 anos. A pesquisa do Cebrid revela também que é na região Nordeste do País que se concentra o maior índice de dependentes alcoólicos.

De acordo com Rane Félix, membro da coordenação de saúde mental, álcool e drogas da Prefeitura de Fortaleza, no Ceará, desde criança, as pessoas têm contato com bebidas. "A gente cresce em contato com o álcool. Nas festas familiares sempre têm bebidas que são associadas à comemoração", diz. Ela ainda ressalta o estímulo da mídia e das propagandas de cervejarias que associam o consumo da bebida à beleza.

"É uma questão cultural", afirma Rane. Ela lembra que o uso do álcool não é algo novo, porém, é preciso ter cuidado com os excessos. Outro fator preocupante é quando o hábito vira vício. Segundo os especialistas, o vício alcoólico é uma doença que não é diagnosticada rapidamente e a maioria dos pacientes demora a procurar ajuda, por não enxergar que está dependente.

As consequências e os perigos do abuso de ingestão de bebidas alcoólicas foram mostrados por um estudo da Ong Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). A pesquisa afirmou que o excesso de álcool no organismo provoca sérios problemas ao sistema nervoso central e cardiovascular, estando associado à incidência de câncer e doenças hepáticas.

Segundo Rane, para evitar que os jovens consumam esse tipo de bebida é necessário investir em programas de prevenção, substituindo o prazer provocado pelo álcool a outras atividades.

Tatiana Félix

Por: Adital