15/10/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Oceanos saudáveis são nova ferramenta para combater aquecimento global

Um relatório lançado nesta quarta-feira (14) estima que emissões equivalentes a metade da liberação anual de dióxido de carbono do setor de transportes estão sendo capturadas e estocadas pelos ecossistemas marinhos, como manguezais, marismas e gramas marinhas.

Publicado por três agências das Nações Unidas, o relatório alega que um fundo de “carbono azul” deveria ser criado para investir na manutenção e reabilitação dos ecossistemas marinhos visando o combate às mudanças climáticas.

A situação atual demonstra que, ao contrário do necessário,a humanidade está prejudicando e degradando estes ecossistemas em uma taxa alarmante. As estimativas são que 7% destes sumidouros azuis de carbono estão sendo perdidos anualmente, ou sete vezes mais rápido do que há 50 anos.

“De fato este relatório estima que deter as perdas e catalisar a recuperação dos ecossistemas marinhos pode contribuir para a compensação de 7% das atuais emissões dos combustíveis fósseis e com uma fração do custo das tecnologias para capturar e estocar carbono”, enfatizou o sub-secretário geral da ONU e diretor executivo do Programa de Meio Ambiente da ONU (UNEP) Achim Steiner.

Este efeito seria equivalente a pelo menos 10% das reduções necessárias para manter as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera abaixo dos 450 ppm (partes por milhão), o que de acordo com cientistas da ONU manteria o aquecimento global abaixo de 2ºC.

“Devido aos oceanos já terem absorvido 82% da energia adicional total acumulada no planeta em conseqüência do aquecimento global, é justo dizer que os oceanos já nos pouparam de mudanças climáticas perigosas”, comentou o diretor geral assistente da UNESCO Patrício Bernal. “Mas a cada dia estamos essencialmente jogando 25 milhões de toneladas de carbono no oceano. Como conseqüência, ele está se tornando mais ácido, impondo uma grande ameaça aos organismos com estruturas calcárias”.

De todo o carbono biológico capturado no mundo, mais da metade (55%) é absorvido por organismos marinhos, não terrestres, por isso o relatório cria o termo ‘carbono azul’.

Os habitats vegetais dos oceanos, em particular os manguezais, marismas e gramas marinhas, cobrem menos de 1% do leito marinho e são responsáveis por mais da metade de todo o carbono estocado nos sedimentos oceânicos. Eles são equivalentes a apenas 0,05% da biomassa vegetal terrestre, mas estocam uma quantidade similar anualmente, estando entre os sumidouros de carbono mais intensos do planeta.

O relatório ‘Carbono Azul’ complementa outra publicação da UNEP chamada ‘A fixação natural: O papel dos ecossistemas na mitigação climática’.

Por: Fernanda B Muller