26/09/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

PIB ou FIB? Seminário em Fortaleza vai debater sobre Felicidade Interna Bruta

Fortaleza, capital do Estado do Ceará, entra em sintonia com as discussões sobre novos indicadores de progresso com a realização do seminário "Novos paradigmas de desenvolvimento: Felicidade Interna Bruta (FIB)", no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). Será dia 28 de setembro, das 15h às 20h, numa promoção do Instituto Visão Futuro-Ceará e Banco Palmas.

Terá como conferencistas Ladislau Dowbor, professor da PUC de São Paulo; Marcos Arruda, coordenador geral do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul; Susan Andrews, psicóloga, antropóloga, estudiosa da chamada "ciência da felicidade" e coordenadora do FIB no Brasil; e Joaquim Melo, educador popular e coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários.

Os palestrantes apresentarão as pesquisas mais recentes sobre desigualdade social e devastação ambiental relacionadas ao crescimento do PIB e discutirão as possibilidades de desenvolvimento local baseadas na proposta do FIB. Os participantes também terão a oportunidade de conhecer as deficiências da utilização do PIB como principal medida de desenvolvimento e outros índices, a exemplo do FIB, que levam em consideração a qualidade e a sustentabilidade do progresso econômico e social.

No Brasil, esse debate tomou força no ano passado, com a 1ª Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB), em São Paulo (SP). Este ano, o País sediará a 5ª Conferência Internacional sobre FIB, de 20 a 24 de novembro, em Foz do Iguaçu (PR). A Presidente do Instituto Visão Futuro-Ceará, Neda Mattos, que participou da Conferência em São Paulo, destaca a abertura para o social que o conceito de FIB traz. "A atual crise mundial mostra o quanto as pessoas estão infelizes. Nosso trabalho no Visão Futuro sempre buscou a vida saudável, o bem-estar, a transformação do estresse em algo a favor, numa dimensão mais individual. Com o FIB veio a abertura de horizontes e a síntese do individual com o social", diz.

A coordenadora do Seminário, Geísa Mattos, professora do Departamento de Ciências Sociais da UFC, considera que a crise mundial não é só econômica, é também de valores e afeta as pessoas individual e socialmente. No seminário o público vai poder refletir sobre questões como essa e conhecer alternativas. Geísa observa que diversos grupos em Fortaleza já vêm atuando em redes nas linhas de desenvolvimento sustentável, economia solidária, cultura de paz, vida saudável, o que sintonizam com as propostas de FIB. A realização do Seminário vem colaborar para a conexão dessas redes.

O Seminário tem patrocínio do Banco do Nordeste (BNB). Conta ainda com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Agência da Boa Notícia, que colabora com a divulgação. Além dessas instituições, Geísa cita com exemplos da teia que começa a se formar em torno do Seminário a colaboração da Rede Lusófona de Estudos da Felicidade, coordenada pelo Prof. Cavalcante Júnior (UFC), que participou da 4ª Conferência Internacional de FIB, no Canadá; do Instituto de Ciência, Cultura e Filosofia Hindu, através de seu coordenador, Cláudio Azevedo; e do Banco Palmas, co-realizador do Seminário, que conta com uma ampla rede na área da economia solidária.

Programação:

. 15h - Abertura

. 15h30 - Palestra Ladislau Dowbor: Deficiências do PIB eeconomia local

. 16h10 - Palestra Joaquim Melo: A experiência do Banco Palmas no Conjunto Palmeiras

. 16h40 - Coffee break

. 17h - Palestra Susan Andrews: Bases Filosóficas do FIB e a "ciência da felicidade"

. 17h40 - Palestra Marcos Arruda: Economia Solidária e FIB

. 18h20 - Perguntas da plateia para os palestrantes

. 19h10 - Palavras finais dos palestrantes

. 19h40 - Apresentação da cantora Marta Aurélia

. 20h - Encerramento

Entenda o conceito de FIB

Enquanto o PIB leva em consideração apenas a produção de bens e serviços para medir o progresso de uma região, o FIB inclui o bem estar emocional, social e ambiental, entre outros parâmetros. Este conceito surgiu a partir da experiência exitosa implantada em 1972 no Butão, um pequeno país da região do Himalaia, na Ásia. Desde então, as metas de planejamento naquela nação passaram a ser orientadas a partir de nove critérios que têm como finalidade garantir o bem estar da população em suas várias dimensões. No Butão, o desenvolvimento é medido pelo padrão de vida; boa governança; estado de saúde; educação; diversidade cultural; resiliência ecológica; vitalidade comunitária; uso equilibrado do tempo; e bem estar psicológico.

Diante das fragilidades que o PIB, como parâmetro único de desenvolvimento, tem revelado desde que começou a ser usado, após a Segunda Guerra Mundial, notáveis estudiosos passaram a defender a incorporação de outros elementos para medir a prosperidade das nações. O FIB e o próprio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) comportam aspectos que vão além dos estritamente econômicos. Não se trata de apenas reproduzir o modelo butanês, mas considerar outras variáveis para o planejamento e análise da qualidade de vida das populações.

Por: Adital