09/09/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Ricos devem ajudar emergentes a cortar CO2, diz ONU

Relatório da entidade pede integração política internacional e deixa claro que as nações desenvolvidas devem facilitar a transferência de recursos e tecnologias que levem a uma economia de baixo carbono nos países em desenvolvimento

Ações motivadas pelo comércio, incluindo o desenvolvimento de mercados de carbono e esquemas de taxas, não são a melhor solução para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar às mudanças climáticas.

O que eles precisam para crescer emitindo menos dióxido de carbono (CO2) são grandes investimentos e intervenções políticas integradas mundialmente, ao menos é isso o que sugere o estudo“World Economic and Social Survey 2009: Promoting Development, Saving the Planet”, publicado nesta terça-feira (1) pelo Departamento de Relações Econômicas e Sociais das Nações Unidas.

A criação de um fundo internacional para energias limpas, programas de ajuda para renováveis, regras mais equilibradas para a questão de patentes e auxílio na transferência de tecnologias são citadas no relatório como formas melhores do que o comércio para lidar com o aquecimento global.

“Reconhecemos que os mercados de carbono continuarão a se expandir, porém não no ritmo e no tamanho que será suficiente para ajudar os países em desenvolvimento a seguirem um caminho de progresso de baixas emissões”, esclarece a pesquisa.

De acordo com o estudo, a participação ativa de todos os países no desafio climático só acontecerá se as nações em desenvolvimento conseguirem manter um bom ritmo de crescimento econômico. Para isto, será necessário um fornecimento cada vez maior de energia. A questão é como fazer isso de uma forma limpa.

“As tecnologias que facilitarão esta possibilidade de desenvolvimento sustentável já existem, como edifícios de baixo consumo ou fontes renováveis confiáveis. Porém os custos ainda são considerados altos demais para estes países. Essa transição precisa de ajuda internacional e da solidariedade dos ricos”, explica o documento.

Falta de ação

Segundo o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) é necessário cortar as emissões de gases do efeito estufa em 50% a 80% até 2050, para evitar as piores conseqüências do aquecimento global.

O estudo da ONU demonstra que apesar dessa constatação já ser do conhecimento da imensa maioria dos governos mundiais, a questão não se transformou ainda em políticas públicas concretas. Isto é um fato mesmo entre as nações mais ricas e bem informadas do planeta.

“Foram os ricos que em 100 anos de crescimento alimentado pela queima de combustíveis fósseis mais contribuíram para o aquecimento do planeta. Apesar de responderem por apenas 15% da população mundial, foram responsáveis por 75% das emissões históricas”, descreve o relatório.

Para a ONU, a falta de comprometimento dos ricos e de ajuda deles para a transferência de recursos e tecnologias para os mais pobres são os maiores obstáculos para o combate às mudanças climáticas e para um futuro acordo que substitua o Protocolo de Quioto.

Custos

Existe uma imensa discordância de quanto custaria financiar as mudanças necessárias para ajudar na mitigação e adaptação do aquecimento global. Estas estimativas variam de 0,2% a 2% do PIB mundial, ou entre US$ 180 bilhões a US$ 1,2 trilhão por ano.

O relatório recomenda que os investimentos comecem imediatamente e que sejam da ordem de no mínimo 1% do PIB global por ano, algo entre US$ 500 a US$ 600 bilhões.

A falha em colocar isso em prática pode resultar, segundo a ONU, no “engessamento” dos investimentos em tecnologias sujas por muitos anos. Além disso, o custo da lentidão pode levar a perda permanente de até 20% do PIB mundial se os piores efeitos das mudanças climáticas se confirmarem.

Independente do valor que seja ideal, a pesquisa afirma que o montante que hoje é destinado para a mitigação e adaptação está muito aquém do recomendável. Atualmente, apenas US$ 21 bilhões estão sendo dedicados por ano, em diversos programas e países, para a questão climática.

“Precisamos de um valor várias vezes maior que essa quantia, isso se a comunidade internacional estiver mesmo querendo uma verdadeira possibilidade de se prevenir do aquecimento global”, afirma o relatório.

Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o “World Economic and Social Survey 2009: Promoting Development, Saving the Planet”, é importante por trazer um alerta para a necessidade de ações mais concretas e fazer um paralelo entre desenvolvimento e o clima.

“Existe uma ligação entre o desafio do crescimento econômico e o desafio climático, e reconhecer as conexões entre os dois é fundamental para um futuro de baixas emissões. Porém, não há uma fórmula exata e definitiva para isso. Esta pesquisa examina alguns dos principais fatores nesta questão na busca de encontrar as melhores opções para todos os países”, conclui o Ki-moon.

Fabiano Ávila

Por: CarbonoBrasil