30/08/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Agroecologia é uma das alternativas ao Agronegócio

Se contrapondo ao agronegócio, a agroecologia aparece como alternativa ao modelo depredador imposto nos campos pelas multinacionais. Fortalece o produtor, motiva a agricultura familiar, gera alimentos mais saudáveis, respeita o meio ambiente, respeita o consumidor. O agrônomo Anderson Munarini, integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores de Santa Catarina (Sul do Brasil) expôs o tema durante o encontro sobre proteção da agrobiodiversidade que acontece em Curitiba, Paraná.

Filho de agricultor, Anderson falou porque trabalhadores do município de Anchieta, situado no extremo oeste catarinense, optaram pela agroecologia e deixaram de lado o sucesso do plantio transgênico prometido por grandes empresas. "Hoje a gente vê que é uma tecnologia que não respeita. Se temos uma outra tecnologia mais tradicional que vem dando certo, não tem porque ter outra", falou.

Através do resgate de sementes de milho crioulas, por meio unicamente da agricultura tradicional, já foi possível obter na região cerca de 36 variedades de milho convencional [não transgênico]. A partir disso, algumas variedades estão sendo melhoradas, com técnica de cruzamento sadio. Uma delas, inclusive, foi batizada de MPA-01, em homenagem ao Movimento.

Anderson afirma que é uma luta intensa. Mas que todos estão engajados agora no processo de massificação da produção da semente crioula. Aponta alguns espaços proveitosos para isso com as Feiras de Sementes que vêm acontecendo com certa regularidade na região sul do país. Na última delas, em Anchieta, haviam 200 bancas de sementes convencionais, para se ter ideia. Em 2004, o município recebeu o título de Capital do Milho Crioulo.

O fortalecimento da agroecologia não para por aí. Uma Unidade de Beneficiamento da Semente está em vias de construção em São Miguel, município próximo a Anchieta, e faz parte das ações de disseminação das sementes para se tenha em quantidade razoável para mais agricultores. Mas tudo isso, esclarece Anderson, vem acompanhado de uma formação política.

"Fazemos encontros com os agricultores e debatemos sobre vários assuntos. Temos muita preocupação com a contaminação do milho transgênico. E a ideia é exatamente fazer um embate político que abrange todo o debate de porque não produzir transgênicos", disse.

Como a contaminação é um risco, o agrônomo fala que a formação técnica e política também é direcionada aos mantenedores de sementes, "os guardiões das sementes crioulas". "Isso para o caso de sermos afetados, a gente tenha onde pegar as sementes", explica.

O panorama em Santa Catarina não é dos melhores. Estima-se que em alguns municípios, 50% de colheitas de milhos sejam transgênicas. Na palavra "resistência", Anderson reforça a vontade dos pequenos agricultores de se fazerem atores de suas transformações e de suas lutas enquanto cidadãos.

O Seminário sobre Proteção da Agrobiodiversidade e Direito dos Agricultores - Propostas para enfrentar a contaminação transgênica do milho se encerra hoje (26) e reúne agricultores e agricultoras, representantes dos movimentos sociais e órgãos públicos.

Por: Adital