26/08/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Investimentos em energias renováveis caem com a crise, mas tendência é de expansão

A crise financeira internacional afetou os investimentos mundiais em energias alternativas, que deverão fechar 2009 entre US$ 95 bilhões e US$ 115 bilhões, contra US$ 155 bilhões no ano passado.

O dado consta de estudo da consultoria inglesa New Energy Finance. A gerente-geral para a América Latina da empresa, Camila Ramos, lembrou que a crise externa teve efeito negativo forte sobre os investimentos nas chamadas energias limpas no primeiro semestre deste ano, embora esse movimento não tenha sido tão intenso no Brasil quanto em nível global.

Na Europa, já se observou uma retomada dos investimentos no setor devido aos programas de estímulo às economias da região. “O setor já superou o pior da crise”, analisou Camila Ramos. Nos Estados Unidos, entretanto, ainda não foi observada uma recuperação.

“Por mais que a gente esteja vendo uma retomada no segundo semestre, ela não vai ser suficiente para superar os volumes de investimentos do ano passado”, afirmou. A maior parte dos investimentos mundiais se concentra na fonte eólica (dos ventos), seguida pela energia solar.

“Porque esses setores são muito grandes nos Estados Unidos, na Índia, na China e na Europa”, disse Camila. Na América Latina, os maiores investimentos são feitos em biocombustíveis, embora os setores de pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e energia eólica estejam aumentando a participação.

Segundo Camila Ramos, o Brasil está entre os cinco maiores países em investimentos em fontes de energias renováveis, com destaque para os setores de biocombustíveis, energia eólica, PCH e biomassa.

Entre 2007 e 2009, o Brasil ficou atrás somente da Espanha, dos Estados Unidos e da China em volume de investimentos em energias limpas. Em 2008, os investimentos do país somaram US$ 10,8 bilhões, com aumento de 76% em relação a 2007.

O estudo destaca a importância do financiamento público para o setor, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Em 2008, o BNDES foi o maior banco em volume de financiamento para energia renovável no mundo, com 47 projetos apoiados e financiamento de US$ 5,7 bilhões”.

A consultoria constatou que desde 2004 os investimentos em fontes alternativas de energia têm sido crescentes no mundo. Segundo Camila, cresceram mais de quatro vezes desde 2004 e a tendência é continuem a aumentar.

Pesquisa da consultoria prevê a necessidade de que os investimentos anuais em energias limpas passem de US$ 155 bilhões para US$ 500 bilhões, a partir de 2020. Os investimentos equivaleriam a até 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

Alana Gandra

Por: Agencia Brasil