25/06/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Movimentos afirmam que pobres não podem ser prejudicados pela crise

Do dia 24 até sexta-feira (26), representantes de Estados e de governos estarão reunidos, em Nova York, para discutir sobre a crise econômica e financeira mundial e os impactos nos diversos países. A intenção é que, durante os três dias, os 192 países integrantes das Nações Unidas determinem respostas de emergência e de longo prazo para atenuar os efeitos da crise, especialmente nas populações mais vulneráveis.

A "Conferência das Nações Unidas acerca da Crise Econômica e Financeira e seus efeitos sobre o Desenvolvimento", conta, ainda, com a presença de representantes de redes, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Na ocasião, organizações que lutam contra a dívida externa ilegítima dos países do Sul apresentarão um documento com as principais contribuições e demandas sobre o assunto.

No documento, as entidades pedem à Organização das Nações Unidas (ONU) que apoie o desenvolvimento de alternativas de superação à crise sem prejudicar os países mais pobres. "As Nações Unidas devem ser usadas como o principal fórum para promover o debate mundial e a governança sobre o sistema financeiro e monetário internacional; e seu fortalecimento, em particular mediante uma maior participação da sociedade civil, permitirá cumprir melhor suas responsabilidades neste sentido", afirmam.

De acordo com o informe, as organizações acreditam que a solução para a crise não deve comprometer às nações mais pobres, pois estas não foram as responsáveis pela atual situação, e sim as principais vítimas: "os governos, as instituições financeiras internacionais e os interesses privados responsáveis pela crise deveriam oferecer uma compensação adequada pelos danos causados, incluindo também a restituição e a reparação da acumulação de dívidas ecológicas, históricas, sociais e econômicas que o Norte deve ao Sul", acrescentam.

As entidades sugerem ainda que devem ser desenvolvidas novas estratégias de combate à crise nas quais se destaquem soluções para as dívidas externas com decisões baseadas em avaliações transparentes e imparciais. "As Nações Unidas, ademais, devem iniciar o trabalho até o desenvolvimento de uma plataforma ou código comum de financiamento soberano, democrático e responsável, envolvendo não somente os Estados membros, mas também organizações da sociedade civil", aconselham.

Além do documento, as organizações civis promoverão, amanhã (25), um evento com os presidentes Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia. A atividade, que acontecerá paralela à Conferência, discutirá: a liberalização do comércio como causa da crise financeira; o desequilíbrio entre a soberania dos povos e os interesses corporativos dos investidores; e a necessidade de construir uma nova arquitetura financeira que respeite os direitos humanos.

Apesar da importância da Conferência, muitos representantes dos 192 países não confirmaram presença. Desde o início do mês, entidades organizadas de várias partes do mundo pedem aos chefes de Estado e presidentes que participem do Encontro para substituir o G20 como fórum global de debate sobre as reformas da arquitetura financeira internacional. Nas cartas, as entidades denunciam que as medidas até agora sugeridas apontam somente para salvar o sistema em detrimento dos povos e países mais vulneráveis.

No dia 1° de junho, mais de 150 redes e movimentos sociais da América Latina e do Caribe enviaram uma carta aberta aos representantes pedindo a presença destes na Conferência. Até o momento, não se sabe quantos presidentes latino-americanos e caribenhos participarão do encontro. Situação parecida aconteceu na Espanha, onde o grupo Ecologistas em Ação enviou uma carta ao presidente, José Luis Rodríguez Zapatero, e à ministra de Economia, Elena Salgado, pedindo a participação na Conferência, mas não obteve resposta.

Por: Adital