17/06/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Entidade alerta sobre as consequências da Carcinicultura para meio ambiente

Nascido do encontro do rio com o mar, o mangue é um ambiente rico e está presente na Zona Costeira de países tropicais como o Brasil. A Carcinicultura, prática de criar camarões em viveiros, precisa da área do mangue para se desenvolver. O litoral nordestino brasileiro, especialmente os estados do Rio Grande do Norte e Ceará, são áreas propícias para este tipo de atividade. Porém, os danos causados ao meio ambiente têm preocupado movimentos e organizações. No Ceará, o Instituto Terramar atenta para os prejuízos que esta atividade causa ao ecossistema. Ressaltar a importância dos manguezais para a população é um dos gritos de alerta da instituição.

Segundo dados do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, a carcinicultura está em 16° lugar entre as atividades que degradam áreas de mangue. Dos 18 milhões de mangues do mundo, 5% são ocupados pela atividade, conforme dados do Fundo Mundial da Natureza (AC).

Para os movimentos em defesa dos povos do mar e do mangue, a Carcinicultura é sinônimo também, de impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais. Esta atividade que exporta camarão para países ricos, exporta também nossa terra, nossa água e nossa riqueza gerada pelo manguezal.

O Instituto Terramar lançou neste ano a publicação "Manguezais x Carcinicultura, lições aprendidas" com o intuito de esclarecer e conscientizar a sociedade sobre a origem do camarão comercializado e os danos causados ao ecossistema pela criação destes crustáceos em viveiros. O material explica a importância do mangue e os impactos ambientais que a carcinicultura deixa para a população. E ainda lembra os assassinatos de pescadores e ambientalistas que foram vítimas desta prática.

De acordo com o estudo os manguezais contribuem para o controle da erosão e a redução de perda de terras. E ainda protegem contra inundações. Outros vilões que afetam as áreas de mangue, além da carcinicultura, são a especulação imobiliária e o turismo de massa. Quando um manguezal está poluído é fácil identificar, pois geralmente a vegetação fica alta e magra.

Ainda de acordo com a divulgação, o Brasil possui a segunda maior área de manguezal do mundo, com 6.800 km ao longo do litoral brasileiro, que equivalem a 9% dos manguezais do planeta.

Só o Ceará tem 573 km de litoral. Nesta faixa, mais de 100 comunidades pesqueiras vivem e tiram da região o seu sustento. Com o desenvolvimento industrial e tecnológico percebeu-se a necessidade de lutar pela preservação ambiental. O Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará busca consolidar meios de desenvolvimento sustentável, do respeito à vida dos Povos do Mar e da preservação dos biomas costeiros em que vivem as comunidades litorâneas.

Até a década de 80, não havia no Brasil políticas públicas que apoiassem a criação de camarões em viveiros, mas, atualmente, bancos financiam a atividade, o que acaba estimulando a produção.

De acordo com Luciana Queiroz, Coordenadora do Programa Terra, Água e Território, do Instituto Terramar, desde 2005 a Carcinicultura entrou em decadência no Brasil, consequência da queda do dólar e de doenças virais do crustáceo, comuns de acontecer em ambientes onde há grande concentração de viveiros em fazendas. Mas, mesmo com as fazendas abandonadas, ficou a herança para o ecossistema: no lugar do mangue, grandes buracos.

Luciana ressalta que é importante esclarecer para o consumidor sobre as consequências que a carcinicultura traz à natureza e deixa uma reflexão: "Você sabe de onde vem o camarão que você consome?"

Mais informações através do site: www.terramar.org.br

Por: Adital