21/06/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

ONU detalha os principais problemas dos oceanos

Fabiano Ávila

Áreas pesqueiras saturadas e a beira da escassez, corais morrendo devido à acidez das águas e toneladas de lixo ameaçando a vida marinha são alguns dos desafios que envolvem este ecossistema

Na semana escolhida pela ONU para a reflexão sobre os grandes problemas que o ecossistema marinho enfrenta, foram divulgados estudos que deixam claro os imensos desafios que a humanidade terá pela frente.

A pesca predatória, o excesso de lixo, a acidificação das águas causada pelas emissões de dióxido de carbono (CO2), todos esses fatores estão causando enormes prejuízos para a vida marinha e, como conseqüência, para toda a vida no planeta.

Pesca

Segundo a Organização de Alimento e Agricultura das Nações Unidas (FAO), 80% das áreas de pesca estão no máximo de sua capacidade ou já apresentam claros sinais de escassez.

De acordo com um relatório conjunto da FAO com o Banco Mundial, as perdas econômicas relacionadas com o excesso da pesca são estimadas em US$ 50 bilhões por ano.

“O comércio internacional pode exercer um papel primordial em proteger os oceanos mundiais”, afirmou Courtney Sakai, do Grupo Oceana, que atua no mercado pesqueiro. “Por mais estranho que possa parecer a Organização Mundial de Comércio (OMC) pode atuar como um limitador no comércio e assim evitar a pesca excessiva”.

Para o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, os subsídios públicos para a pesca são um dos principais fatores da escassez de cardumes. “Os governos estão contribuindo para esse problema ao financiarem com até US$16 bilhões por ano ao setor pesqueiro. Esse apoio significa mais barcos na água e menos peixes no mar”.

A OMC já estaria negociando uma reforma nos programas de subsídios para transformar a pesca em uma indústria sustentável.

Dióxido de Carbono

Outro grande problema que os países terão que confrontar é o aumento da acidez dos oceanos, causada pelas emissões de CO2. Essa acidez é responsável pela morte dos corais, que são fundamentais para a vida nos mares.

Na última semana, durante a rodada de negociações climáticas em Bonn, cientistas divulgaram um relatório que demonstra que a acidificação dos oceanos já é tão intensa que pode se tornar irreversível por milhares de anos.

O perigo foi exemplificado por pesquisadores britânicos em um estudo publicado nesta terça-feira (9). Eles constataram que em apenas 40 anos a aparência da bancada de coral do Caribe mudou drasticamente e ameaça o ecossistema de milhões de espécies.

Se em 1970 os corais chamavam a atenção pelo seu colorido e pelas suas formas intricadas e com muitas ramificações, hoje, 70% dos corais na região se apresentam ‘achatados’ (num efeito chamado de flattening) e pálidos.

Segundo os pesquisadores, as espécies mais exuberantes de coral foram alvos de ciclos de doenças nas últimas décadas e também perderam espaço para as espécies mais ‘curtas’, que seriam resistentes às mudanças no meio ambiente marinho, como o aumento da acidez.

“A perda da complexidade estrutural que os recifes possuíam é um enorme desastre para todos os animais associados a esse ambiente. Os corais são provavelmente o lar da maior quantidade de espécies do ecossistema marinho, abrigando de 1 a 2 milhões delas, incluindo 25% de todos os peixes”, afirmou um dos autores da pesquisa, Alex Rogers, que é biólogo do Instituto de Zoologia de Londres.

Pelo que já vem sendo observado nos oceanos, a comunidade cientifica defende que o futuro tratado climático, que pode ser definido em dezembro em Copenhague, não deixe de fora os oceanos.

Plástico

Garrafas, sacos, embalagens de comida, copos e talheres correspondem a 80% do lixo encontrado no oceano, segundo um relatório do Programa Ambiental da ONU (Unep, na sigla em inglês) publicado nesta segunda-feira (8).

Segundo a ONU, não há um número exato da quantidade de lixo boiando nos mares, porque os dados coletados são mais precisos em algumas regiões e menos em outras, mas a Unep afirma que as evidências são de que a quantidade de lixo está aumentando.

"O lixo marinho é sintomático de um problema maior: o desperdício e a persistente má administração dos recursos naturais. Os sacos plásticos, garrafas e outros lixos se acumulando nos oceanos e mares poderiam ser reduzidos drasticamente por uma política de redução de lixo, administração e iniciativas de reciclagem", disse o sub-secretário geral da ONU e diretor executivo da Unep, Achim Steiner.

Os compostos tóxicos do plástico podem ser encontrados nos organismos que o consomem, diz o relatório, afirmando que o produto pode ser confundido com comida por vários animais, inclusive mamíferos marítimos, pássaros, peixes e tartarugas.

Segundo o Unep, o problema do lixo marinho é particularmente grave na região dos mares do sudeste asiático - onde vivem 1,8 bilhão de pessoas, 60% delas nas áreas costeiras.

Além dos problemas para a vida marinha, o lixo nos mares também provoca prejuízos econômicos, afirma o documento, com barcos e equipamentos de pesca danificados e contaminação de instalações para turismo e agricultura.

O custo de limpeza das praias de Bohuslan, na costa oeste da Suécia, foi de pelo menos U$S 1.550.200, em apenas um ano. No Peru, a cidade de Ventanillas calculou que teria de investir cerca de US$ 400 mil por ano para limpar sua costa - o dobro do orçamento para a limpeza de todas as áreas públicas.

A ONU ainda recomenda a imposição de altas multas para embarcações que jogarem lixo no mar e a suspensão de taxas para o processamento do lixo nos portos, para desestimular o despejo nos oceanos.

Por: CarbonoBrasil/ONU