03/05/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Desocupação de não-índios na Raposa deve durar no mínimo mais 15 dias

Roosewelt Pinheiro/ABr

Terra Indígena Raposa Serra do Sol (Roraima) - O produtor de arroz Paulo César Quartiero espera a chegada da ordem judicial para desocupar a área que ocupa na reserva

Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) - A Polícia Federal (PF) estima que serão necessárias pelo menos duas semanas para que os órgãos da União, supervisionados pela Justiça Federal, concluam a retirada dos não-índios, de suas criaçõese de todos os seus pertences da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR).

“O planejamento foi feito para 30 dias, mas creio que em 15 dias será possível retirar tudo”, afirmou o superintendente da PF em Roraima, José Maria Fonseca.

Ele avaliou que a desocupação por parte de quem não cumpriu o prazo dado pela Justiça – encerrado na última quinta-feira (30) – começou de forma tranqüila e, na maioria dos casos, não foi feita antes porque a União não conseguiu disponibilizar transporte necessário. Há famílias de saída que vivem em áreas de difícil acesso e outras que aguardam caminhões para fazer a mudança.

As fazendas até então exploradas por seis grandes produtores de arroz já foram desocupadas. Os últimos a deixar a área foram Tiaraju Faccio, que terminou de colher ontem, e Paulo César Quartiero, que só saiu após receber um mandado de desocupação escrito à mão pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Jirair Meguerian.

As duas famílias de pecuaristas idosos que passaram a vida inteira na região, visitadas ontem pelo desembargador, ainda não saíram. Segundo o juiz auxiliar Lincoln Rodrigues, que acompanhou Meguerian, Adolfo Esbell alegou que tem descendência indígena e “foi dada a ele oportunidade de provar”. Já Lawrence Hart só aguarda a chegada do transporte prometido pela União, que deve ser viabilizada em 15 dias.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que 300 caminhões se dividirão pela área de 1,7 milhão de hectares para concluir o quanto antes a desocupação dos remanescentes.

Marco Antonio Soalheiro

Por: Agencia Brasil