19/03/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

China fez do Tibete um verdadeiro inferno na Terra

Pequim, 10 mar (Lusa) - O líder budista Dalai Lama acusou nesta terça-feira a China de ter matado “centenas de milhares de tibetanos” desde a invasão do Tibete, no início dos anos 1950 e de ter feito deste país “um inferno sobre Terra”.

“Estes últimos 50 anos foram de sofrimento e de destruição para o território e o povo do Tibete”, disse, num discurso em Dharamsala, no norte da Índia, por ocasião do 50º aniversário da rebelião frustrada contra Pequim em março de 1959.

“Depois de ocupado o Tibete, o governo comunista realizou uma série de campanhas de violência e de repressão. Os tibetanos viveram literalmente um inferno sobre Terra”, acusou Dalai Lama.

“Consequência imediata destas campanhas: a morte de centena de milhares de tibetanos”, criticou, perante o templo budista de Dharamsala, onde está exilado há 50 anos.

Além disso, o líder religioso exigiu “uma autonomia legítima e significativa” para o Tibete em relação ao regime chinês e não a independência.

“Nós, os tibetanos, estamos à procura de uma autonomia legítima e significativa que nos permita viver no âmbito da República Popular da China”, disse.

“Não tenho nenhuma dúvida: a justiça prevalecerá a propósito da causa tibetana”, afirmou.

Outro lado

Contudo, o governo chinês rejeitou as críticas de Dalai Lama e reafirmou que os problemas registrados no território são “um problema interno da China”.

Há 50 anos, “os servos do Tibete conquistaram a liberdade pessoal” e desde então, o “nível de vida dos tibetanos melhorou enormemente”, disse o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu.

“As reformas democráticas (introduzidas sob a liderança chinesa) são as mais vastas e profundas da história do Tibete” e “uma grande contribuição para a promoção da democracia e dos direitos humanos no mundo”, disse Zhaoxu.

“Não comento as mentiras do Dalai Lama”, afirmou o porta-voz. Para ele, “Dalai Lama confunde o certo e errado”.

No entanto, ele indicou que “a porta para as conversações com o Dalai Lama continua aberta” desde que o líder tibetano “renuncie à independência” do Tibete.

Questionado sobre um eventual movimento do Congresso norte-americano condenando a política chinesa para a região, Zhaoxu reafirmou que “o Tibete é um assunto puramente interno da China”.

“A China opõe-se a qualquer pessoa ou país que use o Tibete como pretexto para interferir nos seus assuntos internos”, acrescentou.

Conflitos

Em 2008, a data ficou marcada por violentos tumultos em Lhasa, a capital do Tibete, e colocou o território no primeiro plano dos jornais estrangeiros.

Segundo a China, os tumultos de 14 de Março de 2008 causaram 18 mortos.

O governo tibetano no exílio diz que mais de 200 pessoas morreram durante a repressão desencadeada pelas autoridades chinesas.

Situado na cordilheira dos Himalaias, o Tibete é um território cerca de 13 vezes maior que Portugal e tem menos de três milhões de habitantes.

Trata-se de uma região autônoma (como o Xinjiang ou Ningxia, ambas de maioria muçulmana), mas há comunidades tibetanas em outras províncias do país, sobretudo em Qinghai (onde nasceu Dalai Lama), Gansu, Sichuan e Yunnan.

Por: Agencia Lusa