03/03/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Povos da floresta ganham destaque no Fórum Social na Amazônia

A importância dos povos indígenas e das populações tradicionais como guardiões das florestas e, consequentemente, como atores importantes nas discussões sobre mudança climática foi um dos destaques do 9º Fórum Social Mundial, realizado entre 27 de janeiro e 1º de fevereiro em Belém, no Pará. Com a participação de 130 mil pessoas de 142 países, a edição amazônica do Fórum foi caracterizada também pela presença de 1.300 lideranças indígenas de países amazônicos, africanos e da América Central.

“Nunca uma quantidade e diversidade tão grande de pessoas debateu questões fundamentais como as mudanças climáticas e mecanismos de redução de emissões por degradação e desmatamento (REDD)”, disse Paula Moreira, advogada do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Considerado um dos tópicos mais polêmicos nas negociações internacionais que acontecem em 2009 sobre clima, que resultarão no novo acordo que substituirá o Protocolo de Quioto após 2012, o REDD tem o objetivo de evitar as emissões decorrentes de desmatamento e compensar aqueles que conservam as florestas tropicais e evitam o desmatamento. No entanto, questões como o direito à terra dos povos das florestas e como essas compensações serão pagas ainda são motivo de discussões, já que há muitas diferenças na situação dessas populações nos diferentes países.

Segundo Paula, pela primeira vez se ouviu um discurso alinhado entre os representantes brasileiros, entre índios, populações tradicionais, representantes de ONGs e governo, “clamando pela valorização do estoque de carbono das florestas tropicais em pé e os serviços ambientais decorrentes, proporcionados pelos povos das florestas que lutam pelos seus territórios florestados”. Também houve concordância em que esta atividade de proteção deve ser reconhecida em uma economia e em um mundo de aquecimento global. “Resta saber como e quão rápido teremos a implementação de políticas e ações que recompensem os povos das florestas por esse papel, seja através do Fundo Amazônia, pela Convenção da ONU de Mudança Climática ou por ações locais, estaduais ou mesmo municipais”, avalia.

Infraestrutura

Para Júlio Barbosa, do Conselho Nacional dos Seringueitos (CNS) a realização do Fórum Social na Amazônia foi extremamente positivo por permitir não apenas discutir a mudança do clima, mas também outros temas fundamentais, como o Código Florestal, a concessão de florestas e o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). “A Amazônia, hoje, é a região onde o PAC trará mais impacto, pois pode mudar radicalmente a infraestrutura da região. Rodovias, hidrovias e complexos hidrelétricos são importantes, mas precisam de muito cuidado e estudos. Por isso, os movimentos sociais da região se concentraram no debate de como proteger a Amazônia sem destruir e garantir os direitos dos povos indígenas e demais povos da floresta”, disse.

Conforme Barbosa, as discussões deverão prosseguir, em junho, quando será realizado o primeiro encontro Pan-Amazônico, também em Belém, que deverá reunir cerca de 500 representantes dos nove países da Bacia Amazônica. O objetivo é produzir um documento com a posição dessas populações sobre sobre as principais questões que envolvem a região.

Por: IPAM