20/02/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Austrália aposta na exploração geotérmica

SIDNEY (AUSTRÁLIA), 20 de fevereiro de 2009 - Os tosquiadores de ovelhas e turistas hospedados no Hotel Innamincka, no interior australiano, tomarão em breve sua cerveja refrigerada com a energia produzida por rochas depositadas 5.000 metros abaixo da superfície terrestre. A cidadezinha do sul da Austrália (Innamincka) foi escolhida pela Geodynamics, sediada no município australiano de Brisbane, para um projeto piloto de 1 megawatt, que usará o granito quente do subsolo para gerar energia elétrica.

A Geodynamics diz que a área poderá produzir até 10.000 megawatts de energia elétrica isenta de emissões, o equivalente a 10 usinas nucleares.

A Tata Power, a maior central elétrica não-estatal da Índia, e a CLP Holdings, de Hong Kong estão entre as empresas que apostaram mais de US$ 750 milhões em exploração geotérmica na Austrália nos próximos 5 anos. Se funcionar, a tecnologia das rochas quentes poderá responder por 5% da energia elétrica consumida no país até 2012, segundo a consultoria McLennan Magasanik Associates, sediada em Melbourne. "É uma maravilha da natureza", disse Jo Fort, coproprietário do hotel de Innamincka. "O que, para alguns, parece uma área desolada na superfície possui no subsolo essa enorme riqueza sob a forma de energia", acrescentou.

A Austrália pretende aumentar a geração de energia renovável para 20% do abastecimento até 2020, com leis que obrigam as varejistas a aumentarem as compras desse tipo de energia elétrica. A legislação poderá gerar mais de 20 bilhões de dólares australianos (US$ 13 bilhões) em investimentos, segundo o Conselho de Energia Limpa, cujos membros incluem a Acciona, da Espanha e a divisão de energia solar da britânica BP Plc. Um fundo de US$ 50 milhões australianos do governo do país, destinado a ajudar a cobrir o custo das operações de prospecção, está estimulando os gastos em energia geotérmica.

"Essa tecnologia tem um papel muito relevante a desempenhar na redução da participação total da energia baseada no carbono no setor energético australiano", disse Richard McIndoe, diretor executivo da TRUenergy Pty, divisão da CLP, que está investindo US$ 57 milhões num projeto no sul da Austrália comandado pela Petratherm.

Por: Bloomberg News - Gazeta Mercantil