04/04/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Brasil é altamente vulnerável às mudanças climáticas, alerta Carlos Nobre

O pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre falou ontem (03/04) sobre mudanças climáticas na retomada dos debates do Fórum Baiano sobre este tema, presidido pelo governador Jaques Wagner e coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh).

O evento, realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), marcou o início da série de debates Diálogo das Águas, promovida pela Superintendência Recursos Hídricos (SRH).

Nobre, doutor em Meteorologia, fez palestra sobre Mudanças Climáticas Globais e Impactos no Brasil. Ele disse que as mudanças climáticas globais, resultantes do aumento da concentração atmosférica dos gases de efeito estufa, deixaram de ser algo para acontecer num futuro distante e passaram a ser algo do presente. "Elas são reais, estão acontecendo e, na verdade, se acelerando", alertou.

O pesquisador explicou que as respostas a estas mudanças, principalmente as relacionadas ao aumento da temperatura, são visíveis através da aceleração do aumento do nível do mar, derretimento de geleiras, aumento da estação de crescimento das plantas em altas latitudes, mudanças ecológicas em escala global, inclusive com extinção de espécies, e aumento da freqüência e intensidade de fenômenos meteorológicos e climáticos extremos.

O Brasil, por ter uma economia fortemente baseada em recursos naturais, a exemplo da energia hidráulica, como principal matriz energética, é particularmente vulnerável às mudanças climáticas. Nobre avaliou que o país pode sofrer prejuízos nos setores energético e agrícola, nas zonas costeiras, na biodiversidade e pelo aumento dos desastres naturais.

Segundo o pesquisador, a maior contribuição do país, no sentido de abrandar esses efeitos, pode acontecer através da redução dos desmatamentos da Amazônia, responsáveis por 75% das emissões brasileiras de dióxido de carbono. Por último, lembrando que não há mais como reverter certo grau de mudança climática, ele sugeriu que o Brasil desenvolva a capacidade de adaptação a ela, aspecto ainda pouco considerado no país.

Programação

A programação do Diálogo das Águas se estenderá ao longo de todo ano, estimulando a sociedade a discutir questões relacionadas à degradação ambiental. Sob a temática geral "Água, Sociedade e Ambiente", os debates irão difundir informações sobre temas ambientais atuais, seus efeitos e como a sociedade pode contribuir para a sustentabilidade ambiental e a gestão racional da água.

As palestras são gratuitas e abertas a dirigentes e funcionários de órgãos públicos e empresas privadas, professores universitários, estudantes e demais interessados no tema. Como as vagas são limitadas, para participar é necessária a inscrição prévia no Setor de Gestão de Pessoas da SRH, através dos telefones 3116-3009 ou 3116-3236, ou pelo e-mail cerimonial@srh.ba.gov.br.

As demais palestras vão ocorrer sempre na última sexta-feira de cada mês, no auditório da SRH, no Itaigara, às 15h, obedecendo ao critério de inscrição prévia.

Já o Fórum de Mudanças Climáticas é definido como um espaço amplo de interlocução entre poderes públicos, entidades civis e setor privado, voltado para a conscientização da sociedade sobre os efeitos do aquecimento global e a necessidade de serem criados mecanismos para o desenvolvimento limpo. Na oportunidade, o governador Jaques Wagner deu posse a novos membros do fórum.

Por: Ambiente Já/SEIA - BA/Ascom Semarh/SRH