18/02/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Crise afeta projetos de energia eólica e solar

Os projetos de geração de energia limpa, como eólica e solar, já começam a sentir o impacto da crise e devem perder o ritmo de crescimento acima de 30% que vinham ostentando nos últimos três anos. A escassez de crédito já afeta as vendas de aquecedores solares e pode frear novos investimentos em energia eólica a partir de 2010.

O setor de aquecimento solar, que previa crescimento de 30% nas vendas de painéis solares em 2008, já refez as contas. “Devemos fechar 2008 com aumento de 25% nas vendas, o que está um pouco aquém do esperado”, diz Carlos Farias, diretor do Departamento de Energia Solar da Abrava, associação que representa o setor.

Para este ano, espera-se crescer 20%. A indústria começou a sentir os efeitos da crise rapidamente, pois as vendas de painéis solares estão diretamente ligadas ao ritmo da construção civil no País. “Sentimos uma retração nas vendas logo no início do segundo semestre de 2008, o que pode ser um reflexo da diminuição de novas construções.”

A redução do crédito para pessoas físicas também afeta as vendas de painéis solares. Além da queda na confiança do consumidor, que prefere adiar investimentos, a crise fez com que bancos que vinham estudando linhas específicas para a compra de equipamentos desistissem ou adiassem esses produtos. “Estávamos em negociação avançada com o Santander e o Banco do Brasil, mas veio a crise e mudou os planos”, diz Farias.

Atualmente o Real e a Caixa Federal têm linhas de crédito específicas, com juros de cerca de 60% ao ano. No campo da energia eólica, espera-se um aumento na eletricidade gerada pelos ventos para este ano. No entanto, a crise já coloca em xeque os investimentos em novas usinas a partir de 2010.

usinas. No início de 2009, entraram em operação 64 megawatts (MW), em usinas na Paraíba e Ceará. Em 2008, o parque gerador eólico brasileiro somou 341 MW, um aumento de 39% em relação a 2007. “Esperamos fechar 2009 com um parque gerador instalado de 900 MW”, diz Pedro Perrelli, diretor executivo da Associação Brasileira da Energia Eólica (Abeeolica).

Segundo ele, um dos fatores que deverão manter o fôlego da energia eólica será o leilão para essa fonte, previsto para este ano. Apesar do otimismo, Perrelli afirma que a maioria das usinas que estão entrando em operação fazem parte do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), lançado pelo governo federal em 2003. E existe o risco de a crise adiar projetos de usinas a partir de 2010.

Por: Jornal do Commercio/RJ/Andrea Vialli