01/02/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Garantia do direito à alimentação exige mudanças no comportamento dos consumidores

Belém - A garantia do direito humano à alimentação adequada a partir da valorização dos agricultores familiares deve ser responsabilidade dos estados, mas também exige novos comportamentos dos consumidores. A tese foi defendida hoje (30) durante o Fórum Social Mundial em um debate sobre alimentação, agricultura familiar e comércio mundial de alimentos sob a perspectiva dos direitos humanos.

Coordenador internacional da Via Campesina no Mali, na África, o agricultor Ibrahin Coulibaly, afirmou que atualmente a alimentação é tratada apenas como um ato banal, mercantil, sem reflexão sobre o processo produtivo.

“Hoje em dia comer e comprar comida é apenas uma coisa material, não se pensa nos que produziram os alimentos. Sempre que comemos, deveríamos pensar em quem produziu, de onde veio o alimento, como foi transportado e se pessoas foram excluídas nesse processo em nome de interesses econômicos, de governos ou grandes corporações. Deveríamos rejeitar produtos que sabemos que estão destruindo nossos pequenos agricultores”, argumentou.

Coulibaly defendeu o fortalecimento dos mercados locais como prioridade para os governos na formulação de políticas de proteção aos agricultores familiares.

“A crise alimentar em 2008 mostrou bem que os produtores familiares conseguiram aumentar a produção para atender os mercados locais que ficaram impossibilitados de comprar produtos importados por causa do aumento dos preços”, apontou.

As políticas de proteção de mercados também foram defendidas pelo representante da Rede de Ação e Informação pelo Direito a se Alimentar (Fian),Flávio Valente, que responsabilizou o comércio desregulado “como o principal violador do direito humano à alimentação”.

Na avaliação de Valente, os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil devem exigir estudos de impactos da sustentabilidade de acordos internacionais do comércio de alimentos.

“É preciso incluir as políticas comerciais nos informes ao comitê Desc da ONU [Organização das Nações Unidas], assim como acompanham o cumprimento dos direitos civis, que geram relatórios.”

Luana Lourenço

Enviada Especial

Por: Agencia Brasil