27/01/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Obama reverte decisões de Bush e lança nova política ambiental

WASHINGTON (AFP) — O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, nesta segunda-feira, leis de proteção ambiental, entre elas, medidas para limitar o consumo de combustível e as emissões de gases estufa, como forma de tornar o país menos dependente do exterior em matéria energética.

Ao assinar as disposições, Obama afirmou que essas medidas são voltadas para conter a ameaça do aquecimento global para evitar "catástrofe irreversível" e atos de violência.

"A América não será refém da diminuição dos recursos, dos regimes hostis e do aquecimento do planeta", declarou Obama, revertendo decisões tomadas pelo seu antecessor, George W. Bush.

"Não vamos ficar sem nada fazer sob o pretexto que agir é difícil. Esse é o momento de fazer coisas difíceis", insistiu, afirmando que "é hora de ir ao encontro dos desafios da encruzilhada da história, escolhendo um futuro mais seguro para o nosso país e mais próspero e sustentável para o nosso planeta."

A ruptura com as políticas do ex-presidente George W. Bush para o meio ambiente, muito esperada por boa parte da comunidade internacional, foi concretizada, também, com a nomeação de um delegado encarregado do aquecimento climático.

Advogado e especialista em meio ambiente no centro de pesquisa de Washington Center for American Progress, Todd Stern foi conselheiro do presidente Bill Clinton de 1993 a 1998. Desempenhou, também, papel central nas negociações do Protocolo de Kyoto de 1997 a 1999, antes de se tornar conselheiro do secretário americano do Tesouro de 1999 a 2001.

Entre as medidas tomadas hoje pelo presidente dos Estados Unidos, estão a decisão de permitir que os Estados americanos possam determinar o nível de emissões de poluentes considerados aceitáveis, além da construção de frotas de veículos que economizem combustível e representem investimentos em "economia energética" para criar empregos.

Assim, Obama pediu à Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA, sigla em inglês) reexaminar a possibilidade de conceder ao estado da Califórnia - na vanguarda do combate à poluição - o direito de impor suas próprias restrições às emissões de gases de efeito estufa pelos automóveis.

O governo de Bush havia negado este direito à Califórnia e a outros estados.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, saudou o anúncio do presidente, afirmando que "a Califórnia e o meio ambiente têm agora um aliado forte na Casa Branca".

Esta era uma reivindicação antiga de Schwarzenegger, que teve vários atritos sobre o assunto com o ex-presidente George W. Bush, apesar de ambos serem republicanos.

O presidente americano também anunciou a intenção de impor regras mais rígidas em matéria de eficiência energética no âmbito federal.

Ele pede ao ministério dos Transportes que tome providências para garantir que o parque automobilístico americano apresente até 2020 um consumo médio de 35 milhas por galão (mais de 56 km por 3,78 litros).

De acordo com a imprensa local, as diretrizes presidenciais vão obrigar as montadoras a acelerar o ritmo para produzir e comercializar veículos que consumam menos combustível.

Segundo o presidente americano, as novas diretrizes são uma alternativa a "uma confusa colcha de retalhos que fere o ambiente e a a indústria automotiva".

Além da Califórnia, 13 Estados americanos poderão definir seus próprios padrões de níveis de emissões de gases poluentes. A Califórnia chegou a propor restrições que obrigariam a indústria automotiva cortar a emissão de gases de efeito estufa em novos veículos em 30% até 2006. Mas o pedido foi negado em 2007 pela Agência de Proteção Ambiental da Califórnia por intervenção do presidente Bush.

Obama afirmou que o governo federal vai trabalhar em conjunto com os Estados para reduzir a emissão de poluentes; no seu entender seu governo "não vai negar fatos, mas ser guiado por eles".

OBAMA FIXA NOVAS POLÍTICAS DE MEIO AMBIENTE E ENERGIA

O presidente norte-americano, Barack Obama, fixou nesta segunda-feira novos padrões para fabricar automóveis mais eficientes a partir de 2011, iniciando uma política ambiental que procurará diminuir a dependência de seu país do petróleo estrangeiro e criar novas fontes de energia alternativa.

"A política do meu governo vai procurar diminuir a dependência do petróleo estrangeiro construindo uma nova economia que gere milhões de empregos", disse Obama em discurso na Casa Branca.

Obama decretou que as empresas automotivas norte-americanas devem fabricar automóveis com maior eficiência energética, sob os padrões de produção da Califórnia, o estado mais avançado em matéria de leis de proteção ao meio ambiente, a partir de 2011.

A ordem presidencial solicita que a Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA, na sigla em inglês) tome como exemplo as leis californianas que regulam as emissões de gases dos automóveis, para que seu impacto sobre as mudanças climáticas seja diminuído.

A decisão caminha em sentido inverso à política do predecessor de Obama, George W. Bush, que negou aos estados a autorização para modificar os padrões federais.

Um outro decreto prevê a fixação de novos padrões de autonomia dos veículos, para que até 2020 possam percorrer por volta de 56 quilômetros com um galão (3,8 litros) de gasolina.

O presidente também defendeu seu plano de reativação da economia, de US$ 825 bilhões, que deve ser aprovado pelo Congresso, e afirmou que ajudará a criar cerca de 400 mil empregos no setor de energias alternativas.

"O trabalho não será fácil, mas prometemos nos concentrar para que o país que se liberte da dependência energética", indicou, para acrescentar que, a partir de 2011, o país deixará de comprar 14 milhões de barris de petróleo diariamente.

"Depende de nós decidir se queremos seguir por esse caminho", comentou, afirmando que a dependência do petróleo estrangeiro "é uma das ameaças mais sérias" contra os Estados Unidos.

"Há muito trabalho a ser feito e temos um longo caminho para percorrer, mas quero deixar claro que não seremos reféns de recursos que estão se esgotando, de regimes hostis ou às custas do planeta", assegurou Obama.

O presidente dos Estados Unidos também observou que "os perigos" enfrentados pela "segurança nacional e econômica do país estão compostos pela ameaça a longo prazo da mudança climática, os quais, se não prestarmos atenção, poderiam desencadear conflitos violentos, tormentas terríveis e catástrofes irreversíveis".

As medidas anunciadas por Obama marcam uma reviravolta na política ambiental e energética norte-americana, que durante os oito anos da presidência de Bush fez vista grossa às advertências da comunidade científica sobre a incidência da atividade industrial no aquecimento global.

Sem mencionar seu antecessor, o presidente norte-americano afirmou que "durante anos optamos por adiar a adoção de ações decisivas" para enfrentar o problema, porque "interesses especiais ofuscaram o sentido comum.

Por: AFP/ANSA