26/01/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Índios vão ao Forum Social Mundial para defender respeito pela floresta

Belém - A nona edição do Fórum Social Mundial (FSM) quer reunir o maior número de representantes indígenas desde o início do encontro, em 2001. Boa parte desse grupo já chegou a Belém, sede do evento em 2009. São esperados cerca de 3 mil indígenas, além de outras 270 lideranças de comunidades internacionais.

Cinqüenta e seis índios da tribo Tucuxi, do sudeste do Pará, viajaram sete dias de barco e chegaram neste domingo (25) à capital paraense. O coordenador da delegação, Haroldo Saw, conta que a tribo veio para defender no fórum o respeito pela floresta.

“O mundo tem que saber que existem pessoas que sobrevivem por meio dessa floresta, que dependem dela. Mas não só os índios dependem da Amazônia, várias outras pessoas também. A nossa expectativa é de que a floresta tenha mais segurança”, disse.

Como o FSM reúne participantes de todo o mundo, Haroldo acredita que a presença dos índios será uma forma de chamar atenção para o problema desses povos em escala global. “É uma oportunidade para dizer o que a gente quer, o que a gente sente, o que a gente tem sofrido. As nossas terras estão sendo invadidas por pescadores, garimpeiros, madeireiros, então é um risco muito grande para nossa floresta”, afirmou.

Os indígenas estão alojados em cinco escolas da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém. No primeiro dia da programação oficial do fórum, nesta terça-feira (27), eles vão fazer um ato no campo de futebol da universidade no qual pretendem formar uma faixa humana com a inscrição Salve a Amazônia.

Indígenas querem respeito de países limítrofes à Amazônia

Juliana Cézar Nunes e Lourival Macedo

Da Rádio Nacional Amazônica

Belém - Os indígenas presentes no Fórum Social Mundial indicaram um representante na comissão de cinco lideranças que deve se reunir esta semana, em Belém, com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, do Equador, Rafael Correa, e do Paraguai, Fernando Lugo. A informação é do líder indígena peruano Wilwer Zilca, representante da Coordenação Andina de Organizações Indígenas (Caoi).

De acordo com a organização do fórum, ainda não está previsto um encontro dos representantes dos movimentos sociais com todos os presidentes. Até o momento, existe apenas uma reunião agendada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29, às 19h.

Os indígenas já indicaram como representante Blanca Chancosa, coordenadora da Escola de Mulheres Dolores Cacuondo. De acordo com Wilwer Zilca, os índios pedirão respeito aos presidentes. “Queremos nos reunir para dizer que os presidente não podem continuar entregando nossas terras para mineradoras e petroleiras e nossos bosques para o cultivo de agrocombustíveis. Quando os Estados retiram nossas terras, somos obrigados a nos colocar contra [eles] e, quando nos defendemos, os Estados começam a nos criminalizar, nos chamar de terroristas. Não vamos aceitar isso”, disse Wilwer.

Cerca de mil indígenas, do Brasil e de países da chamada pan-amazônica, estão em Belém para participar do Fórum Social Mundial, que começa na terça-feira (27). Eles estão alojados e cinco escolas da Universidade Federal Rural do Pará. No primeiro dia do fórum, eles vão fazer um ato no campo de futebol da universidade no qual pretendem formar uma “faixa humana” com a inscrição “Salve a Amazônia”.

De acordo com a líder indígena Ticuna (do Alto Solimões) Josiane Otaviano Guilherme o objetivo da manifestação é chamar a atenção do mundo para o direito indígena, principalmente sobre o direito a terra, como forma de preservação da Amazônia. “ Nos somos os verdadeiros guardiões da Amazônia e precisamos ser respeitados”, considerou.

Do Brasil, são esperados no encontro, cerca de três mil indígenas e das comunidades internacionais, devem participar cerca de 270 lideranças.

Líderes indígenas elaboram documento com reivindicações ambientais

Da Agência Brasil

Brasília - Cerca de 100 lideranças indígenas, pesquisadores e representantes de organizações não-governamentais encerraram hoje (23), em Belém, o encontro preparatório para o 9° Fórum Social Mundial (FSM).

Temas como mudanças climáticas e obras de infra-estrutura marcaram os três dias de debates, que teve início na quarta-feira (21).

Os líderes indígenas brasileiros elaboraram um documento com reivindicações para ser entregue no Fórum Social Mundial à Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia e da Região Andina.

Lideranças de nove países da Pan-Amazônia querem unir forças para dialogar com o governo e empresas com o intuito de evitar problemas ambientais.

Segundo o representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marcos Apurinã, o objetivo do encontro preparatório era dar voz ativa e maior participação aos povos indígenas.

“Trabalhamos em defesa dos direitos dos indígenas e principalmente na defesa das florestas e da terra. Esse fórum serve para dizermos ao mundo que a Amazônia pede socorro e precisa ser preservada”, ressalta Apurinã.

Com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os indígenas temem que algumas comunidades sejam banidas de seu território.

“A criação de usinas hidrelétricas e estradas podem afetar a biodiversidade da Floresta Amazônica e o Rio Madeira. Os grandes empresários e o governo garantem que as comunidades indígenas e a floresta não serão prejudicados. Mas os impactos ambientais são grandes e afetam não só as comunidades indígenas, mas todo o planeta”, pondera Marcos Apurinã.

A nona edição do FSM acontecerá entre os dias 27 de janeiro e 1° de fevereiro. Ao todo, 120 mil pessoas são esperadas para participar do encontro. O objetivo do fórum é garantir o protagonismo e a participação massiva de representantes dos povos, movimentos sociais, das organizações e entidades representativas da sociedade civil e o diálogo e a convergência de suas lutas com os demais movimentos de todo mundo.

Amanda Cieglinski

Enviada Especial

Por: Agencia Brasil