21/01/2009 Noticia AnteriorPrxima Noticia

Fertilizar" os oceanos a aposta para reduzir CO2

Paula Scheidt -CarbonoBrasil*

Com as emisses de gases do efeito estufa em contnuo aumento e dificuldades para encontrar uma sada poltica eficiente, alguns pases investem em projetos de geoengenharia para atacar o aquecimento global

Sob uma avalanche de protestos, um navio de pesquisa alemo carregado com 20 toneladas de sulfato de ferro partiu em direo Antrtica na ltima semana com o objetivo de injetar o material no fundo do oceano.

A idia incentivar o crescimento das algas nesta regio pobre em nutrientes, para que capturem mais dixido de carbono (CO2) da atmosfera e, assim, mitiguem o aquecimento global. O experimento, batizado de Lohafez, em referncia a palavra Hindu loha, que significa ferro, visto por ambientalistas como uma violao lei internacional.

Ainda no existem provas concretas sobre a eficincia de tal medida para o clima e nem mesmo das conseqncias para a biodiversidade marinha. Mas, segundo especialistas, um dos efeitos seria a reduo de oxignio na gua, que poderia ser ocasionada pela elevada taxa de decomposio do fitoplncton.

Apesar das crticas de ambientalistas, uma consulta realizada recentemente pelo jornal britnico "The Independent" com 80 cientistas renomados mostra que a maioria concorda que ser preciso investir em projetos de geoengenharia, que forcem a absoro de CO2 pela natureza, como o de fertilizao dos oceanos, para mitigar o aquecimento global.

Lohafez

A bordo do navio Polarstern esto 50 cientistas da Alemanha, ndia, Itlia, Espanha, Chile, Frana e Reino Unido que partiram de Cidade do Cabo, na frica do Sul, no dia 7 de janeiro, em direo ao mar da Esccia, entre a Argentina e a Pennsula Antrtica.Eles ficaro em alto mar durante as prximas oito semanas observando a reao dos organismos colocao do ferro na gua.

Os pesquisadores calculam que, se todo o Oceano Antrtico fosse regado com sulfato de ferro, seriam removidos at um bilho de toneladas de carbono da atmosfera a cada ano. Para os ambientalistas, contudo, no h justificativa cientfica para um projeto em tal escala.

A proposta surgiu no incio da dcada de 90 e, desde ento, cinco experimentos j foram realizados. Em 2007, a empresa Planktos levantou a ira de ambientalistas ao anunciar que colocaria ferro nas guas da costa das ilhas de Galpagos.Segundo as organizaes ambientais, o projeto afetaria a base da cadeia alimentar do ecossistema, que so os plnctons, o que poderia trazer conseqncias devastadoras. Devido m publicidade, a empresa fechou as portas e os planos para a costa do Equador nunca se concretizaram.

Moratria da ONU

Na Conveno de Diversidade Biolgica das Naes Unidas realizada no ano passado, os 191 pases que a compe concordaram em fazer uma moratria contra todas as atividades de fertilizao dos oceanos.

Segundo a Nature, diversas empresas dos Estados Unidos e da Austrlia planejavam seqestrar carbono desta maneira e, assim, vender as neutralizaes no mercado de crditos de carbono.

Uma estimativa feita por especialistas em polticas marinhas dos Estados Unidos mostra que se as redues de emisses de gases do efeito estufa promovidas pela fertilizao dos oceanos geraria at US$ 110 bilhes em crditos de carbono. Porm, este tipo de projeto ainda no aceito nos atuais esquemas de comrcio.

Riscos ambientais

Os ambientalistas que fazem campanha contra o Lohafex argumentam que o experimento de 300 quilmetros quadrados no deveria receber permisso por no estar dentro das regras estabelecidas pela conveno - no de pequena escala e nem est restrito ao litoral.

A diretora do Centro Africano para a Biosegurana de Johannesburg, Mariam Mayet, afirma que o projeto retrgrado. Mayet tentou pedir ao ministro do meio ambiente da frica do Sul que impedisse a sada do navio, porm no obteve sucesso.

O Instituto de Pesquisa Polar e Marinha de Alfred Wegener, responsvel pelo Polarstern, nega que o experimento desrespeite a moratria das Naes Unidas.

Segundo a diretora do Instituto, Karin Lochte, o estudo ir analisar a biologia marinha, o fluxo de partculas de carbono e ir tirar dvidas sobre o impacto a biodiversidade. Estas so exatamente as informaes que precisamos para dizer se um projeto em larga escala de fertilizao dos oceanos justificado, disse revista Nature.

*Com informaes da Nature, New Scientist e Wired

Por: Carbono Brasil