18/01/2009 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Grafiteiro e Pichador, qual a diferença?

A palavra grafite para muitos é uma forma de “pichação evoluída”. Outros a definem como arte urbana. Indesejada ou não esta manifestação espontânea de mostrar habilidade está presente em diversos pontos estratégicos das cidades brasileiras, sempre com intuitos de chamar a atenção: em banheiros públicos, fachadas de edifícios, muros, casas abandonadas, ônibus, metrô, orelhões, postes, monumentos públicos, igrejas e outros espaços de impacto visual.

A denominação grafite vem da Itália e significa “escrita feita com carvão”. Utilizada na antiguidade pelos romanos em manifestações de protestos, escreviam suas mensagens nas paredes das construções. Estes grafites, segundo estudiosos, estão bem preservados em sítios arqueológicos na Itália. Dados históricos mostram por volta do ano 79 d.C. na cidade de Pompéia, arrasada pelo vulcão Vesúvio, já existiam pichações em muros, local preferido para xingamentos, propaganda política, anúncios e até mesmo poesias; se escrevia de tudo nas paredes.

Na Idade Média as pichações eram freqüentes, na época da Inquisição queimavam as bruxas cobrindo-as de pinche, os padres pichavam as paredes dos conventos protestando contra seus rivais, ajudando a expor suas ideologias e criticar doutrinas contrárias; governantes, ditadores ou pessoas que gostavam de provocar opositores de conventos.

A prática da pichação do carvão ganhou outra conotação depois da segunda guerra mundial, evoluiu para o aerosol, tintas spray, que tornava tudo mais fácil para pichar. Essa nova modalidade de pichação ganhou força com os estudantes franceses, em 1968, que protestavam, em Paris, por liberdade. O objetivo era passar para o muro suas mensagens em sprays, com intuito de chamar a atenção por uma melhor qualidade de ensino.

Esse polêmico movimento artístico chega ao Bronx introduzido por jovens desse bairro de Nova York (EUA), no final dos anos 60, estabelecendo essa forma de arte, utilizando tintas sprays. A arte do grafite está ligado a vários segmentos populares, em especial ao Hip Hop, nascido nos guetos americanos que inclui outras duas modalidades: o rap e o break.

O grafite pode dividir-se em seis diferentes formas de expressão:

Grafite 3D: desenhos concebidos a partir de idéias visuais de profundidade, sem contornos. Exige domínio técnico do grafiteiro na combinação de cores e formas; WildStyle: tem o formato de letras distorcidas, em forma de setas, que quase cobrem o desenho; Bomber: são letras goradas e quase parecem vivas, geralmente feitas com duas ou três cores; Letras grafitadas: incorporação das técnicas do grafite à pichação. As letras grafitadas representam a assinatura do grupo; Artístico ou livre figuração: nesse estilo vale tudo: caricaturas, personagens de histórias em quadrinhos, figurações realistas e elementos abstratos; Com máscaras e spray: facilita a rápida execução e disseminação de uma marca individual ou de grupo.

Os principais termos e gírias utilizadas nessa arte segundo Eliane Percilia: - grafiteiro ou writer: o artista que pinta; - bite: imita o estilo de outro grafiteiro; - crew: é um conjunto de grafiteiros que se reúnem para pintar junto; - tag: é assinatura de grafiteiro;- toy: é o grafiteiro que tem muita experiência - spot: lugar onde é praticada a arte do grafitísmo.

No Brasil, a arte do grafite chegou ao final da década de 70 na cidade de São Paulo, seguindo a mesma linha dos grafiteiros norte-americanos, mas acrescentando um padrão próprio, os brasileiros tornaram-se reconhecido internacionalmente, figurando entre os melhores do mundo.

Como forma de rebater as críticas aos grafiteiros sempre tendo seus nomes associados aos pichadores, que expressam sua “arte” sem nenhum conteúdo artístico, desafiando locais de difícil acesso, colocando a própria vida em risco. A exemplo de outras cidades que estão convidando grafiteiros para embelezar locais públicos, a Universidade de São Paulo (USP) está organizando a primeira cooperativa brasileira de grafiteiros, alguns ex-pichadores. O propósito é capacita-los com orientação de professores de artes plásticas e designers, para exibirem seus trabalhos em painéis e muros especialmente destinados a esse fim.

Francisco Rohen

Por: ForumSec21