09/11/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

‘Ser jornalista é um ato de permanente doação’

Domingos Meirelles analisa o Jornalismo em palestra na Semana de Comunicação na Universidade Estácio de Sá, em Nova Friburgo.

Maria Clara Jordão/Priscilla Franco

Com o objetivo de promover a troca de informações entre os profissionais de mercado e estudantes de Comunicação Social a Universidade Estácio de Sá realizou no final de outubro a Semana de Comunicação. O evento contou com a participação de profissionais das áreas de mídias digitais, publicidade, jornalismo, alunos e professores.

O ponto alto da Semana de Comunicação aconteceu com a palestra do jornalista, apresentador da Rede Globo e diretor financeiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles.

O jornalista deu início à palestra retomando fatos importantes de sua trajetória. Desde a época em que vendia máquinas de escrever até se indignar com acontecimentos decorrentes do golpe de 1964 e envolver-se com o jornalismo, no jornal de oposição Última Hora.

Ao longo da carreira, Domingos teve passagem pela Editora Abril, nas revistas Claudia, Capricho, Quatro Rodas e Realidade, onde conquistou o prêmio Esso, por uma edição especial sobre aAmazônia. Escreveu também para o Jornal da Tarde, O Globo e o Estado de São Paulo. Em 1985ingressou na TVquando recebeu convite deArmando Nogueira, da Rede Globo, para atuar como repórter especial. Domingos disse ainda que o início de sua carreira na televisão foi difícil e que só superou as adversidades graças a parceria com sua equipe de trabalho.

Meirelles: “A televisão é uma fantasia”

Para os estudantes deslumbrados com a possibilidade de seguir carreira nas emissoras de TV, o jornalista sugere uma reflexão: “A televisão é uma fantasia. O momento de glória é quando a matéria é exibida. Mas nesse mesmo instante ela se dispersa. Essa glória é volátil e a memória do telespectador é curta. Já o leitor é mais curioso e sabe quem você é, pois fica mais tempo com o que você produziu.”

Defensor do jornalismo literário, Meirelles atribui seu sucesso ao desenvolvimento da técnica de manter uma visão cinematográfica ao redigir uma matéria. “Seria importante saber descrever o ambiente em suas nuances, atendo-se aos detalhes físicos e psicológicos do cenário descrito”. Meirelles utilizou dessa técnica para escrever seus dois livros:As Noites das Grandes Fogueiras, 1995 (Prêmio Jabuti em 1996) e 1930 – Os Órfãos da Revolução, 2005 (Prêmio Jabuti em 2006).

O jornalista deu dicas valiosas para os futuros profissionais. Entre elas a necessidade de se estar posicionado e manter uma ideologia. “O jornalista precisa escolher um lado. Ou ele defenderá os interesses do oprimido ou estará do lado do opressor.”

Para Domingos posicionar-se quanto a isso é fundamental para ter respondidos os principais questionamentos que surgirão no exercício da profissão. Isso não significaria uma manipulação da realidade, mas a capacidade de ter a percepção clara do que acontece no mundo. Com esse posicionamento definido, é fundamental para o jornalista a humildade e pensar constantemente no outro. “Ser jornalista é um ato de permanente doação.”

Fazendo um panorama sobre o mercado de trabalho na atualidade, Meirelles fez um diagnóstico da crise que envolve a mídia impressa. Segundo ele, foram quatro os fatores que colaboraram para o cenário atual: a quebra dos meios de comunicação com o golpe de 1964, a construção de parques gráficos em 1970, o que causou endividamento das empresas jornalísticas, o distanciamento das redações do leitor e principalmente a transformação dos jornais em empresas de capital aberto.

Quando questionado sobre a sua posição quanto à obrigatoriedade do diploma, Domingos se mostrou a favor do registro profissional“Eu acredito e sou a favor do diploma. O jornalista deve ter um determinado perfil e o diploma é fundamental para isso.”

Domingos Meirelles disse ainda que a queda nas vendas dos jornais impressos se deve também ao fato de todos serem iguais, pautados pela rapidez, o que a internet faz muito melhor. Segundo Domingos, “o foco de toda publicação deve ser no leitor que tem que encontrar no jornal impresso um veículo analítico,com textos literários e que preste um serviço de informação diferenciado”.

Por: Nucleo de Mídia Impressa - Estácio de Sá