02/11/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Lixo convertido em energia: uma solução para o meio ambiente

Diariamente, são produzidas no Brasil cerca de 170.000 toneladas de lixo urbano e doméstico, sendo que mais de 70% não passa por reciclagem ou não é direcionado para os aterros, local onde é realizado o tratamento adequado dos resíduos. Só para se ter idéia, apenas 39% dos municípios brasileiros são adeptos dos aterros sanitários, uma medida que traz vantagens em relação à preservação do meio ambiente, com benefícios à população e, ainda, que se estende à economia. Através de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), é possível transformar o lixo que produzimos em energia renovável e sustentável.

Para o especialista em administração de MDL, Mauricio Maruca, sócio-diretor da Araúna Energia e Gestão Ambiental, algumas alternativas são válidas para reverter o quadro atual e incentivar o encaminhamento do lixo para evitar a contaminação do solo e a poluição do ar. "Muitos desses projetos podem gerar benefícios econômicos para o setor empresarial por meio de ações que geram energia a partir do lixo em decomposição que são convertidos em créditos de carbono", explica o profissional. Um exemplo são os trabalhos desenvolvidos em alguns aterros sanitários de coleta e queima do gás metano produzido nestes locais.

Outra medida é feita pelos próprios aterros que produzem energia elétrica a partir do biogás, que é inflamável, polui 20 vezes mais que o gás carbônico e ainda é responsável pelo efeito estufa. O processo é realizado através da instalação de uma tubulação para levar o gás até as máquinas que funcionam como motores de um carro. A explosão do metano movimenta os pistões e estes fazem o motor funcionar gerando energia elétrica.

Através de unidades de tratamento técnico, instaladas nos aterros pela Araúna, consegue-se uma redução de até 98% da emissão de gás metano gerado pela decomposição do lixo. Simplificando, o funcionamento deste sistema se dá pela coleta do gás em tubos que direcionam para uma torre onde ocorre a queima. "Toda a operação é controlada por computadores que medem diferentes parâmetros, dentre eles a quantidade de metano queimado que corresponde às toneladas de CO2 que seriam jogadas na atmosfera", comenta Maurício Maruca.

Estes índices são convertidos em créditos de carbono que são certificados pela ONU e vendidos às empresas estrangeiras que não cumpriram a meta ou excederam os níveis de poluição que contribuem para o efeito estufa.

Maruca alerta que reciclar ao máximo o lixo, inclusive orgânico, ainda é a melhor maneira para combater a poluição do meio ambiente, pois nem todo lixo deve ser queimado ou usado para gerar energia e sim, a sobra que não foi possível reciclar. A reciclagem poupa o dobro da energia produzida pela mesma quantidade de lixo. Se toda a população tivesse conhecimento sobre os problemas do lixo e o seu destino adequado, a situação atual poderia se modificar em apenas um ano.

Fonte: MaxPress Net

Por: MaxPress Net / O Pantaneiro