26/06/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Desmate ilegal é burrice, afirma presidente de ong

ALEXANDRE APRÁ

Da Reportagem

“Só pode ser burro quem diz que é preciso desmatar mais florestas para aumentar a produção agrícola”. A afirmação é do ambientalista Marcelo Carvalho, presidente da organização internacional Pro Natura, que trabalha na preservação e uso consciente do meio ambiente em 40 países. Ontem, ele esteve em Cuiabá, onde preferiu palestra na abertura do Programa de Capacitação em Gestão de Negócios Ambientais com ênfase em créditos de carbono.

Abordando temas sobre desenvolvimento sustentável, ele defende que a falta de capacitação técnica e conhecimento sobre as formas de exploração e cultivo faz com que produtores rurais não explorem suas áreas de maneira responsável e, ao mesmo tempo, rentável.

Ele também frisou que as queimadas ilegais para abertura de pastos são uma burrice. “Quando vejo fumaça de queimadas, vejo dinheiro sendo queimado. Há meios eficazes de aproveitamento de mata nativa em pastos. Milhões poderiam ser economizados”, afirma.

No entanto, ele citou duas empresas mato-grossenses que se tornaram exemplos mundiais do uso racional da floresta e do meio ambiente: a Vanguarda do Brasil, em Lucas do Rio Verde, e a madeireira Rohden Lígnea, em Juruena.

Segundo ele, a Rohden é única empresa brasileira, com 100% de capital nacional, a possuir o selo FSC (Forest Stewardship Council - Conselho de Manejo Florestal), expedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Essa certificação garante preços elevados dessa madeireira no mercado internacional”, diz. Segundo o gestor de recursos ambientais e coordenador do Programa, Ewerson Duarte da Costa, o metro cúbico de madeira da Rohden chega a custar R$ 8 mil, enquanto outras comercializam a R$ 500.

“Depois disso, Juruena se tornou a maior cidade produtora de castanha do mundo. Das 800 toneladas consumidas no planeta, 200 saem de lá. Isso é um reflexo de investimento em desenvolvimento sustentável”, acrescentou Marcelo Carvalho.

Para ele, a tarefa de estudar alternativas de exploração de áreas devem ser implementadas pelas instituições de pesquisa. No entanto, ele também alerta que há pouco investimento do governo federal em programas de manejo florestal. “Anualmente, a União investe R$ 10 bilhões na agricultura, R$ 9 bilhões na pecuária, mas apenas 10 milhões no extrativismo. É pouco”, avalia.

Mesmo assim, ele aprova o trabalho da Polícia Federal no combate a crimes ambientais em Mato Grosso e as medidas anunciadas pelo ministro Carlos Minc. “Tanto a PF quanto o ministro devem fazer com que a lei seja cumprida. Crimes ambientais são inaceitáveis”.

O programa de capacitação acontecerá em Cuiabá e deve reunir empresários do setor e ambientalistas. Ao todo, serão 10 módulos. O primeiro deles acontece nos próximos dias 17 e 18. Outras informações podem ser obtidas pelo site: www.fgv.adv.br/instituto.

Por: O Diário de Cuibá