26/05/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Procurador diz que estudos de impacto ambiental de Belo Monte serão apenas etapa burocrática

Engenheiro agredido teria usado tom de deboche para falar com os ìndios, disse

Dom Erwin Krautler, bispo do Xingu.

Juliana Maya

Repórter da Rádio Nacional da Amazônia

Brasília - A elaboração de estudos de impacto ambiental para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), será apenas uma “etapa burocrática”, na avaliação do procurador do Ministério Público Federal em Altamira (PA) Marco Antônio Delfino.

Segundo o governo federal, a previsão é que o leilão da usina seja realizado no ano que vem. Para o procurador, isso mostra “como a fase de licenciamento muitas vezes é apenas uma etapa burocrática”.

Na última segunda-feira (19), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, suspendeu liminar da Justiça Federal de Altamira que impedia a participação das empreiteiras Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez nos estudos de impacto ambiental de Belo Monte. Com a decisão, os trabalhos serão retomados.

No dia 20 de maio, o coordenador dos estudos de Belo Monte, o engenheiro Paulo Fernando Rezende, foi esfaqueado por indígenas que participam do encontro Xingu Vivo Para Sempre, que se realiza desde segunda-feira em Altamira. Ele foi convidado pelos organizadores do evento para dar uma palestra sobre o projeto. A construção da hidrelétrica, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é o principal foco dos protestos dos indígenas do Xingu.

Dom Erwin Krautler, bispo do Xingu e um dos organizadores do evento, disse que o engenheiro usou “tom de deboche” ao se referir a temas discutidos pelo palestrante anterior, o professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Oswaldo Sevá.

Depois de ser vaiado, o engenheiro terminou o seu discurso dizendo que a hidrelétrica será implantada de qualquer forma, de acordo com relato de dom Erwin. Foi nesse momento que os índios soltaram gritos de guerra e começaram as agressões. Para o bispo, “o acontecimento é lamentável e as atitudes do engenheiro não o justificam”.

Em nota, a Eletrobrás manifestou indignação diante do ocorrido e afirmou que tomará as providências necessárias para que os responsáveis pela agressão sejam punidos. A empresa informou ainda que o funcionário recebeu atendimento médico e passa bem.

A agressão lembra um episódio que ocorreu há 19 anos, no 1º Encontro dos Povos Indígenas, também em Altamira. Na ocasião, durante debates sobre projetos hidrelétricos na região, inclusive sobre Belo Monte, uma índia ameaçou com um facão o engenheiro José Antônio Muniz, atual presidente da Eletrobrás.

Por: Agencia Brasil