22/05/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Biocombustíveis e falta de alimentos. O debate se acirra. Brasil é vaiado em Conferência.

A saúde de pelo menos 100 milhões de pessoas das nações pobres será afetada pelo grande aumento dos preços internacionais de alimentos, a menos que sejam tomadas medidas para resolver o problema. A desnutrição mata 3,5 milhões de mães e crianças menores de 5 anos de idade todos os anos, e este valor poderá subir ainda mais. A FAO afirma que todo indivíduo necessita de 200 calorias diárias de alimentos.

Eis o alerta feito por uma fundação suíça nos últimos dias. “Acreditamos que os números referentes a mortes por desnutrição morte números irão se elevar, assim como teremos a piora de outros indicadores, como o raquitismo acometendo 178 milhões de crianças todos os anos”, disse Marc Van Ameringen, diretor executivo da Aliança Global para a Melhoria da Nutrição, uma fundação que visa combater a desnutrição através da mobilização de parcerias público-privadas.Para saber mais sobre o impacto da desnutrição no mundo, visite o website da organização, no endereço http://www.gainhealth.org/

A ONU atacou os subsídios ao etanol e ao setor agrícola e alertou que os biocombustíveis americano e europeu são, em parte, responsáveis pela inflação nos preços dos alimentos no mundo. Todavia, as divergências na ONU, em torno do etanol, parecem não ter fim. Enquanto o novo relator para o Direito à Alimentação, pediu a suspensão imediata dos investimentos em biocombustíveis,e disse que a atual crise dos alimentos é uma “grande violação dos direitos básicos”, John Holmes, o novo chefe da força-tarefa para lidar com a crise dos alimentos,saiu em defesa do etanol e pediu um “debate mais sofisticado”. Segundo Holmes - “Os biocombustíveis não foram criados por uma brincadeira. Foram desenvolvidos em resposta a um problema muito sério, que são os efeitos da mudança climática”, ressaltou. Este pensamento reforça a posição do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

O presidente Lula defendeu o programa de produção do Etanol Brasileiro e justificou que o aumento no preço dos alimentos decorre principalmente das pessoas nos países em crescimento terem ampliado aquisições de gêneros alimentícios

De fato o Brasil, Índia, China, Rússia e outros países da América Latina tem consumido mais alimentos. São também grandes produtores e estão retendo as exportações em favor do consumo interno. O Brasil, o Vietnã e a Índia suspenderamsuas exportações de arroz para os EUA.

Segundo a FAO estão em situação de emergência a população de 37 países pobres, não produtores, que sofrem com a falta de alimentos.

No Haiti e Egito manifestantes foram as ruas protestar contra a alta dos preços na Cesta Básica. A revolta no Haiti, no dia 13 de abril, vitimou um militar das Nações Unidas.

O crescimento da renda nos países emergentes tem sido o dobro da expansão dos países ricos. A dependência destes últimos das importações de cereais foram, de imediato, atingidas.

A FAO calcula em 100 milhões de pessoas atingidas pela fome. A crise é agravada pela longa seca nos países da Europa Oriental, Canadá e Austrália. Neste último país, não chove o suficiente há 6 anos. Deixaram de ser grandes produtores pela estiagem que reduz as colheitas agrícolas no mundo.

Brasil é vaiado em conferência ambiental por causa de biocombustíveis

Gilberto Costa

Repórter da Rádio Nacional da Amazônia

Brasília - Diplomatas brasileiros que negociam acordos ambientais na 9ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-9), foram vaiados hoje (20) durante a reunião, que acontece em Bonn, na Alemanha, após votarem contra o “princípio da precaução” na produção dos biocombustíveis.

Além das vaias em plenária, o país foi criticado por cerca de 200 manifestantes brasileiros e estrangeiros que usavam camiseta laranja em alusão ao fogo do desmatamento. Segundo a organização não-governamental (ONG) Terra de Direitos, a camiseta laranja tinha na frente os dizeres: "Brasil e Alemanha: comprometidos com a destruição da biodiversidade. Não compre este acordo".

A frase é uma referência ao recente acordo energético assinado entre os dois países, que inclui exportação de etanol e cooperação nuclear.

“A expansão da fronteira agrícola atualmente é a maior causa de perda de biodiversidade; então, o fato de o Brasil se opor a essa discussão nessa plenária demonstra claramente a irresponsabilidade do Brasil em relação a esse modelo. É uma postura absolutamente injustificada”, apontou assessora jurídica da ONG, Maria Rita Reis.

Na avaliação da Terra de Direitos, a posição do governo brasileiro, favorável à produção dos biocombustíveis, é “insustentável”.

Os ambientalistas temem que a expansão das lavouras de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol brasileiro, empurre a produção de alimentos e a pecuária para a floresta e aumente o desmatamento na Amazônia. Na avaliação do pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Adalberto Veríssimo, essa possibilidade torna o país “bastante vulnerável” às críticas de estrangeiros.

“O Brasil vai continuar numa posição difícil, de tentar explicar o inexplicável. Não tem mais sentido o desmatamento no século 21 no patamar que se desmata na Amazônia, que é muito elevado”, lembrou.

O superintendente de conservação para os programas regionais do WWF-Brasil, Cláudio Moretti, reconhece que há desinformação e “entendimento equivocado” sobre a produção de biocombustíveis no Brasil. No entanto, avalia que o país erra na negociação diplomática sobre o tema.

“Nós entendemos que a postura correta é negociar abertamente critérios socioambientais que sejam firmes e claros, agora não dá para aceitar isso quando o Brasil se coloca nos fóruns mundiais como se fosse perfeito: porque nós produzimos energia limpa, que é da hidrelétrica, daí não se discute os impactos da hidrelétrica; produzimos o combustível mais adequado que não é o petróleo, é o biocombustível e não aceita questionar que a sua forma de produzir biocombustíveis está errada”, argumentou.

Os ambientalistas também defendem que o Brasil adote medidas mais rigorosas de controle do estudo de sementes geneticamente modificadas e isole a produção de alimentos transgênicos.

Por: ForumSec21/Agencia Brasil