30/04/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Atores e produtores divergem sobre o anteprojeto da Lei Geral do Teatro

A natureza do financiamento de produções teatrais – se público ou privado – e a desigualdade na distribuição de recursos entre espetáculos comerciais e populares causaram divergências entre os participantes de audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e sua Subcomissão Permanente de Cinema, Teatro, Música e Comunicação Social. O debate foi o segundo que discutiu o anteprojeto da Lei Geral do Teatro, elaborado pela CE.

Em defesa da proposta, que mantém incentivos fiscais previstos na Lei Rouanet, o ator Odilon Wagner, vice-presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes, argumentou que a centralização de recursos no eixo Rio-São Paulo não é causada pelo mecanismo de captação de recursos, mas por falha na distribuição das verbas. O anteprojeto, destacou, busca um novo modelo de gestão e a criação de uma secretaria nacional de teatro, no Ministério da Cultura.

Também favorável à proposta, a atriz e produtora Irene Ravache afirmou que os profissionais que fazem teatro comercial enfrentam o preconceito daqueles do "teatro de rua". Ela comentou ter-se tornado produtora para buscar recursos para peças teatrais e negou que atores mais conhecidos tenham facilidade em conseguir patrocínio.

– Não conheço produtor de teatro milionário. Todos estão tentando pagar suas contas, dando emprego para muita gente – disse.

No mesmo sentido, a produtora Tatyana Rubim considerou que o problema está na aprovação de projetos pelo Ministério de Cultura. Para ela, uma Lei Geral do Teatro será capaz de aperfeiçoar a parceria entre a iniciativa privada, os profissionais de teatro e o governo.

Críticas

Contrário à proposta, Ney Piacentini, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, avaliou que o anteprojeto repete os erros da Lei Rouanet. Ele defendeu o financiamento público do setor, pois os recursos captados por incentivos fiscais são manipulados pelo marketing empresarial, "favorecendo uma elite". Assim, reivindicou um fundo de cultura e a distribuição de recursos por meio de editais.

– Cultura é um direito, como a educação. Uma política pública nesse setor deve ser voltada à população. Sou contra a mercantilização do teatro – opinou.

Oséas Borba Neto, representante do setor no Conselho Nacional de Políticas Culturais, apontou distorções entre as regiões brasileiras no acesso a recursos para a produção teatral e também discrepâncias no acesso até dentro de uma mesma região.

– A responsabilidade do Senado é atender ao Brasil, e não apenas ao interesse de pequenos grupos – frisou.

O ator e diretor teatral Amir Haddad lembrou que empresários e políticos podem ganhar com o investimento em arte, "que dá voto e retorno financeiro". Ele apelou por uma lei "com responsabilidade", de forma a assegurar o fortalecimento do setor.

Por: Jornal do Senado Federal