10/01/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Movimentos sociais pedem diálogo sobre a transposição

Organizações defendem a revitalização do Rio São Francisco aliada à políticas que enfatizem a convivem dos nordestino com a seca, como a construção de poços artesianos, cisternas e captação de água da chuva

de Brasília (Agência Brasil)

Cerca de dez caravanas de vários estados foram a Brasília para um protesto contra a transposição do Rio São Francisco. São integrantes de 30 movimentos sociais.

O padre Antônio Pereira, pároco da Catedral da Barra (BA), cidade da arquidiocese de dom Cappio, disse que a manifestação visa a sensibilizar o governo sobre a necessidade de um diálogo com a sociedade.

“Dom Cappio fez o seu primeiro jejum [em 2005] e foi feito um acordo de abrir um amplo diálogo com a sociedade civil. Isso foi negado. Diante disso, ele retomou o jejum em oração e está disposto a doar sua vida pela causa do Rio São Francisco e a vida do povo ribeirinho, que depende dele para a sobrevivência.”

A integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Marina dos Santos também pede a abertura de um diálogo entre governo e movimentos sociais.

“São questões defendidas pelos movimentos sociais e organizações de trabalhadores e estão encampados nesse jejum feito simbolicamente por dom Cappio, no sentido de que também a população possa discutir e o governo possa abrir um espaço de diálogo com a sociedade. Esse processo nos foi negado desde o princípio da transposição do Rio São Francisco.”

O padre Antônio Pereira afirmou também que rio está morrendo e que, por isso, as obras devem ser suspensas. “Para nós, a transposição é um sinal de morte, porque o rio está anêmico. Dom Luiz Cappio costuma dizer que um anêmico não pode doar sangue. Nós que moramos na beira do São Francisco percebemos que o rio está morrendo aos poucos.”

Os movimentos sociais defendem a revitalização do Rio São Francisco aliada à políticas que enfatizem a convivem dos nordestino com a seca, como a construção de poços artesianos, cisternas e captação de água da chuva.

O protesto dura até quarta-feira (19), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar o pedido de agravo do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que pede a suspensão das obras de transposição do Rio São Francisco.

Por: Agencia Brasil