17/03/2008 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Afinal de contas, animal também é gente

Há alguns anos a frase acima circulou pelo Brasil, dita por um famoso, que falava dos cães. Muitos não entenderam, mas uma boa parte das pessoas compreendeu exatamente o que a frase queria dizer. Os animais sofrem, desejam viver, tem medo de morrer, são amigos fieis de seus pares, gostam da liberdade, valorizam a convivência e, num exagero antropomórfico, buscam, como nós, a felicidade. Qual é a diversão em privá-los do que os fazem felizes? Qual é a utilidade de fazê-los sofrer? Qual é, realmente, a necessidade de se alimentar deles, dilacerando-os ainda em vida? Porque este hobby estúpido de matá-los para divertimento ou privá-los da liberdade, afastando-os do seu habitat?

Grande parte das pessoastem carinho pelos animais; adotam, compram e os tratam com respeito e afeto. Outros, indiferentes à dor e ao sofrimento, cometem uma série de injustiças, maus-tratos e atos de violência e aprisionamento daqueles que não podem defender-se e não podem pedir ajuda, mostrando, no mínimo, uma baita insensibilidade ao sofrimento alheio.

Direito dos Animais

A DeclaraçãoUniversal do Direito dos Animais, proclamada na Assembléia da Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de janeiro de 1978, conta com 14 artigos. Tem como finalidade assegurar os direitos dos animais, independente da espécie.

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm o mesmo direito a existência.

Este primeiro artigo da Declaração mostra o quanto a nossa sociedade ainda está distante da compreensão do direito a Vida e do respeito aos animais. Abate indiscriminado com sofrimento, touradas, rodeios, experimentos científicos com tortura, caça por diversão, aves engaioladas, tráfico de animais, mercantilização da vida e outros tipos de maltratos e sofrimentos infringidos aos animais são retratos de uma sociedade que ainda não reconhece os direitos destes seres e experimenta muito pouco o sentido da compaixão e cumplicidade.

O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais.

Mais um artigo da Declaração. O ser humano, por sua capacidade de compreeder a Vida,temo dever de colocar sua consciência a serviço dos outros seres vivose trata-los de maneira respeitosa e sensível.

Abaixo, mais dois artigos da Declaração que falam sobre o aprisionamento de animais, que já virou um hobby para muitas pessoas que insistem em manter passarinhos engaiolados:

Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático, e tem o direito de reproduzir-se.

A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a este direito

Tráfico de animais

O tráfico de animais é um grande problema de nossa sociedade. Já se transformou há muito tempo numa atividade econômica rentável num dos casos maisexplícitos da mercantilização da vida para satisfação de caprichos.

Quando se retira um animal da natureza, é como se quebrássemos ou, ao menos, enfraquecessemos o elo de uma corrente, colaborando para a extinção da espécie em seu habitat natural.Centenas, milhares de animais são retirados por ano de nossas matas.Para se ter uma idéia, um caminhão rotineiramente utilizado no tráfico de animais transporta cerca de 1.000 espécimes (alguns chegam a transportar 3.000 animais). Basta, então, se perguntar: quantos caminhões estão rodando pelo país transportando animais silvestres em meio a sua carga?

No Brasil, somos mais de 160 milhões exercendo uma imensa pressão sobre os habitats naturais e diretamente sobre a fauna. Fora os estrangeiros que importam os nossos animais. Calcula-se que o tráfico de animais silvestres retire, anualmente, cerca de 12 milhões de animais de nossas matas; outras estatísticas estimam que o número real seja 38 milhões.

Nos últimos meses, uma CPI no Congresso Nacional descobriu cerca de 500 quadrilhas explorando o tráfico de animais silvestres, que rende 2 bilhões de dólares por ano. O tráfico utiliza pessoas carentes para a captura dos bichos, que são trocados por alimentos.

O Abandono de animais

Outro caso de crueldade é o abandono dos animais. A Declaração de Bruxelas também fala sobre isto:

O abandono de um animal é um ato cruel e degradante

Este abandono acontece, muitas vezes, quando o animal chega a uma idade avançada e começa a dar mais trabalho. Quando filhote, os donos se orgulham de passear com eles pela rua, mas quando envelhecem, o pêlo começa a cair, dermatites aparecem, muitasvezes, cães em sua maioria, ficam esquecidos, abandonados, carentes de carinho e atenção.

Testes científicos realizados em animais

A experimentação animal, que implica em sofrimento físico, é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.

Técnicas substitutivas deveriam ser utilizadas e desenvolvidas, mas ainda há laboratórios que utilizam animais em testes. Algumas empresas como Bic, Calvin Klein, Colgate, Palmolive, Johnson & Johnson testam seus produtos em animais e não preocupam-se se isso implicará ou não em sofrimento. Será que é necessário realmente que cosméticos e outros produtos passem por testes em animais? Será que as pessoas que preocupam-se com os animais, precisam consumir esses produtos?

Espetáculos com animais: realidade que está mudando

Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

Apesar de ainda existirem touradas, vaquejadas e eventos que utilizam animais em exposições, há uma lei instituída no Rio de Janeiro que pretende mudar essa realidade. A Lei Municipal Vigente (lei nº 2284/95) proíbe a realização de eventos ou espetáculos que promovam o sofrimento ou sacrifício de animais.

Leis que protegem os animais

A Constituição Federal de 1988 : Art. 225, 1o, VII - Incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas na forma de lei as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, que provoquem a extinção de espécie ou submetam os animais à crueldade.

Lei da Política Ambiental 6938/81: a Lei da Política Ambiental 6938/81 com a nova redação da Lei 7804/89 definiu a fauna como Meio Ambiente

Lei 5197: Art. 1º - caracterizou a fauna como sendo os animais que vivem naturalmente fora do cativeiro. A indicação legal para diferenciar a Fauna Selvagem da Doméstica é a vida em liberdade ou fora de cativeiro. 

Decreto Lei 3688 :Art. 64 da Lei das Contravenções Penais - tipifica a cueldade contra os animais, estabelece medidas de proteção animal e prevê atentados contra animais domésticos e exóticos, que são de competência da Justiça Estadual

Dedicação e amor aos animais

Dedicando-se há muitos anos aos animais, a presidente da Associação Protetora dos Animais de Nova Friburgo, Rita Sheffel, é exemplo de amor, respeito e companheirismo.

Os animais que são abandonados na cidade, passam por muitas necessidades, ficam jogados a própria sorte e dependem das ONGs e associações para sobreviver.

- “Muitos animais sofrem todos os tipos de maus tratos”, afirma Rita Sheffel“

- As pessoas jogam água fervendo, pedra, envenenam. Os próprios donos acorrentam os animais longe de água e comida. Recebemos muitas denuncias de maus-tratos”.

Dona Rita, como é conhecida na comunidade, pensa que para adotar um animal, a pessoa tem que ter condições financeiras e psicológicas, para poder tratar das necessidades dele. A presidente da Associação aconselha

“ Não tendo condições financeiras, a pessoa deve pensar duas vezes antes de adotar um animal” .Todavia o que os animais mais necessitam é de amor, amando o animal, a pessoa se esforçará para trata-lo com dignidade. Um grande exemplo disto são os mendigos, que diversos cães acompanham. Estesmendigos dividem a própria comida com os cães de rua.

Para quem deseja adotar um animal, Rita Sheffel aconselha “ Adote um animal como companhia, mas acompanhe o animal, jamais abandone-o, cuide dele com respeito e amor “.

Agnes Lutterbach e Dib Curi

Por: ForumSec