29/12/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Países temem pelo destino do planeta mas fazem muito pouco

Impactos decorrentes das mudanças climáticas e do desmatamento foram os dois assuntos principais discutidos em Bali, na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O Greenpeace apresentou no último dia 4 de dezembro, na 13ª Conferência das Nações Unidas em Bali, na Indonésia, a possibilidade da criação de um fundo de investimentos de U$ 14 bilhões, que seriam usados para impedir o desaparecimento das florestas tropicais do mundo.

Um outro projeto, envolvendo o Banco Mundial, também proposto em Bali, reuniria 20 países num fundo com cerca de 300 milhões de dólares destinados a conter a destruição das florestas. Contudo, estimativas dão conta de que seriam necessários 5 bilhões de dólares por ano para recuperar as florestas do planeta.

Segundo Miriam Dualibi, coordenadora geral do Instituto Ecoar para a Cidadania e uma das mais importantes ativistas ambientais do Brasil, este fundo seria destinado a países que possuem grandes áreas com florestas que (quando atingissem uma determinada meta de redução de desmatamento, a partir de uma linha de base pré-determinada), poderiam acessar e usar os recursos para promover o desenvolvimento sustentável, campanhas educacionais e combate ao desmatamento clandestino.

Redução do desmatamento é essencial para conter mudanças climáticas.

Calcula-se que 20% das emissões de carbono na atmosfera sejam resultantes do desmatamento de florestas tropicais. Segundo dados da WWF – Brasil, World Wildlife Fund,que em português significa Fundo Mundial da Natureza, o Brasil emite cerca de 6 mil toneladas de gases do efeito estufa diariamente eocupa o quinto lugar na lista de países emissores de gases-estufa, devido à destruição de florestas.

A destruição deflorestas para fins extrativistas predatórios, como terras para pastagens, venda de madeiras nativas, queimadas e ainda a própria decomposição de árvores libera para a atmosfera a maior parte do carbono nelas armazenada.

De acordo com o coordenador da campanha do Greenpeace, na Amazônia,Paulo Adário,desde a ECO-92 ,realizada no Rio de Janeiro,a Amazônia brasileira perdeu mais de 230 mil Km2 de floresta devido às atividades humanas – uma área maior do que o estado do Paraná.

As emissões de CO2 provenientes do desmatamento e das queimadas na Amazônia são a principal contribuição do Brasil ao aquecimento global e há cada vez mais evidências de que as mudanças climáticas que podemos presenciar hoje em dia ,são consequências de práticas como esta.

De acordo com o ecólogo Daniel Nepsad,a fumaça gerada nas queimadas inibe as chuvas.E alerta que se continuarem as práticas destrutivas naquela região, metade da florestaestará desmatada até 2030,com uma emissão acumulada de carbono de 15 bilhões a 25 bilhões de toneladas.

O aquecimento global pode levar uma parte da Amazônia a se tornar algo parecido com o cerrado.

Segundo estudosdo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) as áreas que perderem cerca de 40% de sua vegetação sofrem um aquecimento de 4º C aproximadamente; além disso, o volume de chuvas fica reduzido em 24%.

De que maneira o desmatamento pode agravar o efeito estufa?

Sem o efeito estufa , a vida na Terra como a conhecemos não poderia existir. A energia vinda do Sol é absorvida pelo planeta e se irradia de volta na forma de calor. Gases atmosféricos como o dióxido de carbono seguram esse calor e evitam que ele vase para o espaço. Isso é o que nos mantém aquecidos à noite. Mas,como os humanos emitem cada vez mais gases para a atmosfera, maior quantidade de calor é aprisionada,e a Terra fica como se estivesse com “febre”.

Estudos realizados mostram que nos últimos 160 anos a temperatura média da Terra sofreu uma elevação de 0,5ºC e, se persistir a atual taxa de poluição atmosférica, prevêem que entre os anos 2025 a 2050, a temperatura sofrerá um aumento de 2,5 a 5,5 º C.

As principais conseqüências serão a alterações das paisagens vegetais, que caracterizam as diferentes regiões terrestres e o derretimento das massas de gelo, provocando a elevação do nível do mar e o desaparecimento de inúmeras cidades e regiões litorâneas.

As árvores funcionam como um depósito para o gás carbônico, após absorvê-lo, devolvem à naturezaresíduos de oxigênio,que são vitais para os animais e para o homem. Porém, quando derrubadas e queimadas, o carbono fica concentrado no ar e as espécies que consomem oxigênio ficam seriamente prejudicadas

O aumento da temperatura do planeta irá causar diversos males aos seres vivos.

Segundo informações da revista Nosso Clima, a elevação da temperatura representa um aumento do nível dos mares entre 10 e 88 cm, nos próximos 100 anos. Elas também afetarão os padrões de circulação oceânica e, consequentemente, aprodutividade biológica, a disponibilidade de nutrientes e a estrutura dos ecossistemas marinhos.

Dentre muitos inconvenientes gerados pelo aquecimento excessivo da Terra, existe também a necessidade de as pessoas se refrescarem. Em um planeta mais quente, irá aumentar o consumo de energia .Só nos resta torcer para que a população adote fontes alternativas e renováveisde se obterenergia para se refrescarem, e que aprendamos também a criar espaços residenciais, industriais e comerciais que otimizeme aproveitem as formas naturais e limpas de ventilação e resfriamento.

Reduzir as concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa é uma tarefa que exige esforço concentrado da sociedade organizada, dos governos, empresas e indivíduos, no sentido de buscar soluções para o aumento da eficiência energética, utilização de tecnologias limpas e mudanças de postura perante o desperdício e o desmatamento.

Ana Paula Resende

Por: ForumSec21