03/12/2007 Noticia AnteriorPróxima Noticia

Preservar a Mata Atlântica é uma das coisas mais importantes que podemos fazer pelo planeta e por nós mesmos

Toda a região que compreende Nova Friburgo, Rio das Ostras, Macaé, Teresópolis, Petrópolis e outras cidades está dentro de um dos mais importantes remanescentes daMata Atlântica brasileira. Dependemos das florestas, não só para a fixação de CO2, mas para o equilíbrio do regime de chuvas, fixação das águase refrigeração do ar.A missão do povodasserras e do litoralé cuidar deste patrimônio para que os desequilíbrios ambientaissejamatenuados.Sem contar no grande número de espécies que habitam a mata e que serão preservadas para que as futuras gerações possam conhece-las e delas desfrutar a companhia.

Muito já foi escrito sobre a Mata Atlântica. Mas nunca é demais lembrar a sua importância.

A Mata Atlântica é considerada um Hotspot. O conceito de Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Mayers para resolver um dos maiores dilemas dos conservacionistas: quais as áreas mais importantes para conservar a biodiversidade da Terra?

Observando que a biodiversidade não estaria igualmente distribuída pelo planeta, Myersidentificou as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou estas regiões de Hotspots.

Hotspot é toda área prioritária para conservação, de alta biodiversidade e ameaçada em alto grau. É considerada um Hotspot uma área com, pelo menos, 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original. Identificou-se 10 Hotspots no mundo. No Brasil, dois: o Cerrado e a Mata Atlântica.

Uma história de devastação

Boa parte da Mata Atlântica coincide com a principal zona de ocupação na colonização e, mais tarde, do processo de urbanização brasileira: A faixa litorânea.

Á princípio, a Mata Atlântica possuía uma área total deaproximadamente 1,3 milhão de km2e atualmente possuí apenas 52.000 km2. Ocupava 16% do território brasileiro, distribuída por 17 Estados.

Hoje, este ecossistema está reduzido a menos de 7% de sua extensão original, dispostos de forma fragmentada ao longo da costa brasileira, no interior das regiões Sul e Sudeste, além de trechos em Goiás, Mato Grosso do Sul e no interior dos estados nordestinos.

As formas de vida são as mais variadas;animais, plantas e microorganismos são encontrados nas encostas das montanhas, nos rios, nos mangues, nas restingas, nas ilhas, nas cavernas e nos campos de altitude. É tanta riqueza que a Mata Atlântica foi apontada como Reserva da Biosfera,Patrimônio da Humanidade.

Diversidadeencontrada na flora daMata Atlântica

Com uma extensa variedade de espécies, a floresta pode ser dividida em extratos. O extrato superior é chamado de dossel (20-30m), que é composto pelas árvores mais altas, adultas, que recebem toda a intensidade da luz solar que chega na superfície.  As copas destas árvores formam uma espécie de mosaico, devido à diversidade de espécies. Aí estão as canelas, as leguminosas (anjicos e jacarandás), os ipês, o manacá-da-serra, o guapuruvú, entre muitas outras. As árvores do interior da mata, mais abaixo, fazem parte do extrato arbustivo, formado por espécies arbóreas que vivem toda a sua vida sombreadas pelas árvores do dossel. Entre elas estão as jabuticabeiras, o palmito Jussara e as begônias, por exemplo. Já oextrato herbáceo é formado por plantas de pequeno porte que vivem próximas ao solo, como é o caso de arbustos, ervas, gramíneas, musgos, selaginelas e plantas jovens que irão compor os outros extratos quando atingirem a fase adulta. Existem plantas que crescem sobre outras, utilizando troncos e folhas como substrato de fixação: as epífitas (epi= sobre / fito= planta) e as lianas. As primeiras são as bromélias, orquídeas, cactáceas, que não retiram seus nutrientes do solo. As lianas, são trepadeiras, que se fixam no solo mas utilizam outras plantas para apoiarem-se na tentativa de alcançar o dossel. No chão da floresta, vivem inúmeras espécies de fungos, como os cogumelos, por exemplo. Outro tipo de fungo, são as micorrizas, que vivem associadas às raízes das árvores auxiliando na absorção de nutrientes. Também misturados ao solo, estão as sementes e plântulas que aguardam a luz para iniciarem seu crescimento.

Espécies endêmicas fazem parte da fauna

A Mata Atlântica possuí 250 espécies de mamíferos, sendo 55 endêmicas, com a possibilidade de existirem diversas espécies desconhecidas. A fauna sofreu bastantecom os vastos desmatamentos e a caça, verificando-se o desaparecimento total de algumas espécies em certos locais.A Mata Atlântica apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta, com 1020 espécies. É um importante centro de endemismo, com 188 espéciese 104 ameaçadas de extinção. Estas espécies encontram-se ameaçadas pela destruição de hábitats, pelo comércio ilegal e pela caça seletiva. Um dos grupos que corre maior risco de extinção é o das aves de rapina (gaviões, por exemplo), que apesar de ter uma ampla distribuição, estão sofrendo uma drástica redução. Várias espécies quase se extinguiram pela caça, como é o caso dos beija-flores e psitacídeos em geral (araras, papagaios, periquitos).

Com hábitos predominantemente noturnos, o que os torna pouco visíveis, os anfíbios representam um dos mais fascinantes grupos presentes na mata. Exploram praticamente todos os hábitats disponíveis; apresentam estratégias reprodutivas altamente diversificadas e muitas vezes bastante sofisticadas, ocupam posição variável na cadeia alimentar e possuem vocalizações características, demonstrando a diversificação biológica e seu sucesso evolutivo.Em relação aos anuros (sapos, rãs e pererecas), um ecossistema bastante importante é o conhecido “copo” das bromélias, um reservatório que serve de moradia, alimentação e local para reprodução de algumas espécies.A Mata Atlântica concentra 370 espécies de anfíbios, cerca de 65% das espécies brasileiras conhecidas. Destas, 90 são endêmicas, evidenciando a importância deste grupo.

No alto da Mata Atlântica, em Nova Friburgo, encontra-se a maravilhosa Reserva Ecológica de Macaé de Cima, local onde a Fundação Jardim Botânico do Rio de Janeiro desenvolve estudos de espécies raras de flora e da fauna – sabe-se da existência do “sapinho laranja”, raríssimo, que vive e se reproduz no interior das bromélias. Não só pelo sapinho, mas pelas Bromélias e ainda a esplêndida diversidade e águas puras, a preservação de Macaé de Cima pode ser considerado a grande missão do povo de nossa região.

As Bromélias e sua importância para os insetos

Novas e fascinantes espécies de besouros, libélulas e outros insetos foram descobertas por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina durante uma pesquisa sobre a fauna relacionada às bromélias. Planta hospedeira, a bromélia realiza um trabalho essencial para o ecossistema e chega a ser responsável pela vida de aproximadamente 300 espécies diferentes. Na pesquisa, os professores analisaram as bromélias nas florestas secundárias e primárias da região de Florianópolis. Eles pesquisaram as espécies que utilizam as águas acumuladas na planta ou seu fruto.

Segundo a professora Josefina Steiner, foi registrada nas últimas semanas uma espécie de besouro extremamente raro, o surutu jelineki. Só há dois exemplares da mesma espécie registrados no mundo, ambas no Hemisfério Norte. “Também temos uma ninfa de libélula que foi notificada recentemente e que só é registra em bromélias”, destaca.

Steiner conta que a pesquisa mostra a importância das bromélias para o meio ambiente. A planta pesquisada - que só gera uma flor em toda a vida - abriga uma quantidade inimaginável de insetos, larvas, e espécies predadoras. “Formigas, vespas, abelhas utilizam a bromélia para ninhos”, conta a professora. “Animais vertebrados utilizam a flor e frutos para se alimentarem, como é o caso do beija-flor”.

Impactos ambientais causados pelo homem

Das espécies vegetais, muitas correm risco de extinção por terem seu ecossistema reduzido, por serem retiradas da mata para comercialização ilegal ou por serem extraídas de forma irracional como ocorreu com o pau-brasil e atualmente ocorre com o palmito juçara (Euterpe edulis). Para a fauna, observa-se um número elevado de espécies ameaçadas de extinção, sendo a fragmentação do ecossistema, uma das principais causas. Apesar de toda a destruição que o ecossistema vem sofrendo, aproximadamente 100 milhões de brasileiros dependem desta floresta para a produção de água, manutenção do equilíbrio climático e controle da erosão e enchentes.

Problemas ambientais: o que fazer?

Todas as pessoas são capazes de ajudar a diminuir os problemas ambientais. Não jogar papel no chão parece uma atitude simples, mas já ajuda na preservação do meio ambiente; o acumulo de lixo, a poluição dos rios e a degradação do solo, os seres humanos são os responsáveis e basta as pessoas conscientizarem-se que é a partir delas o passo inicial para reverter essa situação,antes que seja tarde demais. Entrevistado pelo Século XXI,o professor Fernando Cavalcante, geógrafo ligado ao CEA (Centro de Educação Ambiental de Nova Friburgo), destacou a recente criação das 4 APAs (Área de Proteção Ambiental) municipais: Três Picos, Caledônia,Macaé de Cima e Rio Bonito,em Lumiar. “Temos também a APA estadual de Macaé de Cima - acrescenta. Fernando também destacou o novo Código Ambiental municipal. “Para a Região Serrana preservar o meio ambiente, só há uma solução: Educação Ambiental eFiscalização” - arremata. “As pessoas precisam ser educadas sobre a preservação do meio ambiente e depois de educadas,é preciso que sejam fiscalizadas, para ver se o que foi ensinado, está sendo cumprido”

Agnes Lutterbach

Por: ForumSec21