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Mestre de Vida: Clarisse Lispector

Clarisse Lispector Clarisse Lispector 1920 - 1977

Clarisse Lispector

Clarice Lispector foi uma escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, que declarava, quanto a sua brasilidade, ser pernambucana. Foi autora de romances, contos e ensaios, sendo considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, sendo considerada uma de suas principais características a maneira como mostrava os personagens comuns em seus momentos de cotidiano. Uma das coisas que mais impressiona em Clarisse, quando da leitura de seus textos, é sua extrema inquietação criativa, sua singularidade e profundidade de alma.

Foi uma das mais destacadas escritoras do modernismo brasileiro, a chamada de “Geração de 45”.

Desde pequena, Clarice estudou línguas (português, francês, hebraico, inglês, iídiche) e teve aulas de piano. Era ótima aluna na escola e gostava muito de escrever poemas.

Fez curso de antropologia e psicologia e, em 1940, publica seu primeiro conto intitulado “Triunfo”. Recebeu diversos prêmios, dentre eles o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal e o Prêmio Graça Aranha.

Ensinamentos:

Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome

Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca ou não toca.

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...”.

É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.

Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.

...passava o resto do meu dia representando com obediência o papel de ser.

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

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