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Mestre de Vida: Herbert Marcuse

Herbert Marcuse Herbert Marcuse 1898 - 1979

Herbert Marcuse

Marcuse foi um influente filósofo alemão naturalizado norte-americano. Ele teve fortíssima influência nos movimentos da contra-cultura nas décadas de 60 e 70. Seu foco esteve na reelaboração das teorias de Freud e Marx, ou seja, a busca pela felicidade individual e a crítica da sociedade capitalista. No seu livro “Eros e Civilização”, ele teve a visão de que as mudanças da sociedade industrial-tecnológica poderiam nos habilitar a inverter o sentido do progresso. Ao invés da produção e do consumo desenfreados, poderíamos usar a riqueza e o conhecimento para satisfazer nossas pulsões e impedir nossas vontades destrutivas. O homem poderia trabalhar menos e se dedicar a uma vida de satisfação plena. No entanto, Marcuse reconheceu que subestimou o sistema sócio-político e seu controle social cada vez mais eficaz. Entre as formas de controle teríamos a produção, cada vez maior, de bens supérfluos e o redirecionamento das necessidades de satisfação da população. Assim, as grandes preocupações de Marcuse se relacionavam com o desenvolvimento descontrolado da tecnologia, com o racionalismo dominante nas sociedades modernas e com os movimentos repressivos das liberdades individuais.

Ensinamentos:

A união da liberdade com a servidão tornou-se natural e um veículo do progresso.

“Hoje temos a capacidade de transformar o mundo num inferno e estamos a caminho de fazê-lo. Mas também temos a capacidade de fazer exatamente o contrário.”

“Os meios de transporte e comunicação em massa, as mercadorias, casa, alimento, roupa, a produção irresistível da indústria de diversão e informação, trazem consigo atitudes e hábitos prescritos, certas reações intelectuais e emocionais, que prendem os consumidores aos produtos. Os produtos doutrinam, manipulam, promovem uma falsa consciência. Estando tais produtos à disposição de maior número de indivíduos e classes sociais, a doutrinação deixa de ser publicidade para tornar-se um estilo de vida.”

“É a vida dos jovens que está em jogo e, se não a deles, pelo menos, a saúde mental e capacidade de funcionamento como humanos livres de mutilações. O protesto do jovem continuará porque é uma necessidade biológica. Por natureza, a juventude está na primeira linha dos que vivem e lutam contra uma civilização que se esforça para encurtar o atalho para a morte.”

“O produtor submete-se aos mais abjetos caprichos do consumidor, desempenha o papel de proxeneta entre ele e suas necessidades, desperta-lhes apetites mórbidos e espreita suas fraquezas para exigir, depois a propina por estes bons serviços.”

“A verdade da arte reside no seu poder de quebrar o monopólio da realidade estabelecida para definir o que é real.”

“Com o crescimento da conquista tecnológica da natureza, cresce a conquista do homem pelo homem. E essa conquista reduz a liberdade, que é um a priori necessário da libertação. Isso é liberdade de pensamento no único sentido em que o pensamento pode ser livre no mundo administrado, como a consciência de sua produtividade repressiva e como a necessidade absoluta de romper para fora desse todo.”

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