27/10/2019

Negar o aquecimento global é patético

Dib Curi Dib Curi
"Os exemplos de desvario e interferência tóxica do ser humano sobre seu ambiente são tão vastos que me intriga bastante as pessoas negarem somente um deles"

No dia 20/09, a população do planeta foi as ruas para protestar contra o aquecimento global, uma realidade incontestável para qualquer observador que tenha um mínimo de bom senso.

É evidente que afirmar que o aquecimento é causado somente por fatores antrópicos (humanos) pode ser uma afirmação exagerada. Mas negar que isto aconteça é de uma temeridade que beira ao caos compreensivo.

Sabemos - por exemplo - que o planeta Vênus experimenta um calor muito maior do que justificaria a sua aproximação do Sol. Sabem porque? Justamente pelo excesso de gases, inclusive o CO2, que criam uma estufa à partir do seu solo. É por isto que chamamos uma das principais consequências climáticas do Aquecimento de Efeito Estufa. Ora, alguém se arrisca a dizer que a civilização não está gerando um excesso de gases? Quando vemos a poluição em Pequim ou na Cidade do México, por exemplo, onde as pessoas mal podem respirar, isto se dá por qual razão? Não seria por um excesso de gases? Outros perguntam - desinformadamente - como explicar então o frio intenso se o planeta está esquentando? Creio que este tipo de pergunta se dá por uma confusão que as pessoas fazem entre clima e temperatura. O aquecimento Global favorece os extremos de temperatura, mas, a longo prazo, a temperatura global aumenta na média.

Muitos de nós já entenderam que estes discursos e evidencias sobre o aquecimento global incomodam aqueles que sobrevivem das emissões de carbono. Virou uma discussão econômica, como a maioria das discussões sobre políticas públicas. Meia dúzia de pesquisadores do quarto escalão da ciência mundial tornaram-se negacionistas e estão defendendo os interesses dos grandes conglomerados petrolíferos internacionais, porque foram cuidadosamente arregimentados para isto, através de generosos soldos, mesadas e agrados. De novo, a tal corrupção no horizonte dos atos humanos.

Confesso que tenho dificuldade em dialogar com quem nega a interferência humana sobre a saúde do meio ambiente. Os exemplos de poluição, desvario e interferência tóxica do ser humano sobre seu ambiente são tão vastos que me intriga bastante as pessoas negarem somente um deles, justamente, aquele que gera mais dinheiro. Curioso não é? Ou negam também que rios e mares estão poluídos? Negam o aumento de alergias e problemas respiratórios? Negam que o excessivo desmatamento interfere na temperatura? Negam a existência das ilhas de calor urbanas?

O assunto é muito complexo e eu já compreendi que existe, junto a tudo isto, uma espécie de doença psicológica que gera este comportamento negacionista daquilo que é evidente e desumano, por causa de um misto de ressentimento, vaidade e rebeldia reversa. Além da interesseira ambição, é lógico. Negar o aquecimento global é verdadeiramente patético. Ou então é sinal de ignorância e barbarismo.

Por: Dib Curi

O autor é professor de Filosofia e editor do Jornal Século XXI

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