26/10/2019

É melhor prevenir do que remediar?

Marcelo Guerra Marcelo Guerra
"Para querer se prevenir de algo, é preciso ter consciência de que existe uma ameaça. "

Apesar dessa frase - sem o ponto de interrogação - ser bastante repetida, por que a prevenção é deixada tão de lado? Sempre estamos a ponto de começar algo que pode melhorar nossa saúde e deixamos para um outro momento.

Prevenção:

substantivo feminino

1. ação ou resultado de prevenir(-se).

2. conjunto de medidas ou preparação antecipada de (algo) que visa prevenir (um mal).

Como diz a definição no dicionário do Google, prevenção é uma ação da qual se espera um resultado. Qualquer ação depende da vontade da pessoa que a exerce. Num só dia, realizamos inúmeras ações. Precisamos colocá-las numa ordem de prioridade. Por que então a prevenção não entra lá na frente dessa lista? Afinal, ninguém quer ter uma doença grave.

Para querer se prevenir de algo, é preciso ter consciência de que existe uma ameaça. Até os anos 60, por exemplo, os efeitos nocivos do cigarro eram desconhecidos. Não fazia sentido alguém deixar de fumar para se prevenir de algo. Se à época alguém dissesse “vou parar de fumar para evitar um câncer de pulmão” seria tido como louco ou, numa definição mais suave, excêntrico. No entanto, hoje a relação de doenças que sabemos estar associadas ao hábito de fumar é bem extensa. E a expectativa se tornou contrária. As pessoas que fumam se desculpam por fazê-lo, como se estivessem cometendo um pecado mortal. Então, agora deixar de fumar ou nem começar a fumar é reconhecido como um hábito saudável que previne muitas doenças.

Todos se lembram do atentado ao World Trade Center, em Nova York. Os terroristas invadiram as cabines dos aviões e passaram a pilotá-los, transformando-os em armas letais. Logo depois, os deputados americanos instituíram uma lei para que as cabines dos pilotos permaneçam trancadas durante todo o voo. Uma medida que foi aplaudida por todos os americanos. O escritor Nassim Taleb propôs a seguinte hipótese: imagine se essa lei tivesse sido proposta antes dos atentados. As companhias aéreas iriam reclamar do investimento em novas portas nas aeronaves, os passageiros se queixariam do exagero de não poder ir à cabine do piloto para tirar uma foto no cockpit, os pilotos achariam péssimo ter que ficar trancados durante tanto tempo.

O que muda de um momento para o outro? A percepção de um risco. O risco da cabine dos pilotos acessível aos passageiros sempre existiu, mas não era percebido como tal. A partir dessa tomada de consciência, são tomadas medidas de prevenção.

Não valorizamos aquilo que não vivenciamos. As pessoas geralmente buscam um médico para prevenção após alguma doença séria ou a notícia de alguém próximo que morreu por uma determinada doença ou passou por tratamentos dolorosos tratando de alguma delas. Essa proximidade com alguma doença desperta a busca pela prevenção. Não é espanto nenhum que, depois de poucos meses, as medidas preventivas já tenham sido abandonadas por causa de outra prioridade qualquer.

O fato é que a saúde deveria ser prioridade sempre, porque várias doenças podem deixar marcas que não serão limpas com uma esponja, água e sabão. Samuel Hahnemann, o fundador da homeopatia, sempre insistiu na importância da prevenção. Por isso, o tratamento homeopático tem o objetivo de estimular o próprio organismo na reação às doenças e a criar seus próprios mecanismos de defesa contra o surgimento delas.

Previna-se para que as doenças não apareçam como surpresas na sua vida.

Por: Marcelo Guerra

Marcelo Guerra é médico homeopata e acupunturista, além de terapeuta biográfico de base antroposófica. Atende em Nova Friburgo e Niterói, e organiza vivências de autodesenvolvimento.

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