23/02/2019

Primeiro Eu, depois Eu e, por último, Eu também

Vera Calvet Vera Calvet
"Até que ponto nosso ego interfere negativamente em nossos relacionamentos, em nossa vida?"

Essa triste frase é a, digamos, filosofia de vida da mãe de uma de minhas amigas de juventude. Ela repetia essa frase com orgulho, a quem queria ou não, ouvir. A filha morria de vergonha e se desculpava conosco dizendo, entre constrangida e irritada, em resposta à mãe: “Liga não, gente! Essa, infelizmente, é a senhora rainha da minha família!”

E o clima piorava ainda mais, pois a senhora rainha reagia e as duas entravam numa embaraçosa discussão.

Não vou entrar no assunto da consequência negativa que essa mãe causou, emocionalmente, em minha amiga durante sua vida. Creiam, foi muito negativa para sua autoimagem, poder pessoal, sentimento de solidão e rejeição, falta de confiança nas pessoas, entre outras. Mas, convido você a pensar a respeito do quanto podemos ser egóicos ou egoístas de vez em quando ou sempre. Isso é importante!

Claro que extremistas, como a mãe de minha amiga, não conseguiriam sequer pensar sobre isso, uma vez que seus egos são mantidos orgulhosamente como uma atitude supostamente positiva! Mas, nós, que nos vemos como boas pessoas que sabem dividir, compartilhar, ajudar outras pessoas, podemos e devemos parar de vez em quando e pensarmos a respeito: Até que ponto nosso ego interfere negativamente em nossos relacionamentos, em nossa vida? Somos daquelas pessoas que partilham quando nos convém, e quando não, “é cada um por si”? Sabemos pedir desculpas, reconhecer um erro? Ouvimos opiniões contrárias querendo entender de verdade o outro, ou ao mesmo tempo em que estamos ouvindo, estamos pensando em como convencer a pessoa do contrário? Competimos pela razão ou atenção? Por que fazemos isso? Nosso ego precisa tanto assim de alimento?

Alimentar o ego, esse voraz, nos torna seu escravo!

Afinal, o que é esse tal ego?

O termo vem da Psicanálise. Surgiu para explicar como é o funcionamento da mente impulsiva, inconsciente. E sendo assim, tem reações automáticas conforme o tipo de informações que juntamos durante nossas vidas. O ego é também usado para definir nossa personalidade, caráter, como pensamos e agimos. É, digamos, a tradução das características psíquicas de cada pessoa.

Então, o ego faz parte de nós! Claro! Mas cultuá-lo, idolatrá-lo, dar-lhe importância extrema, o faz ser quase que como uma “entidade” independente! Nos torna egoístas! Cultivadores, idólatras do ego!

Nos libertar desse devorador de atenção, o ego, significa assumirmos de fato o controle e liberdade!

Ter boa autoestima e poder pessoal é desejável e positivo! Mas cultuar uma “entidade” exigente e cega, não!

Temos que desejar sermos livres, tanto no mundo, quanto em nosso universo interior! Eu penso que merecemos essa liberdade! Você não acha também?

Por: Vera Calvet

Vera Calvet é arquiteta, vice-presidente do Instituto Ráshuah do Brasil - Núcleo de Meditação e Terapias. Psicoterapeuta, escritora, instrutora de meditação e palestrante. Desenvolveu métodos terapêuticos voltados ao autoconhecimento e técnicas de Meditação, ministrados em todas as unidades do Instituto Ráshuah no Brasil e no exterior: http://www.rashuah.com.br

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