25/11/2018

Homeopatia para tratar o ser humano inteiro

Marcelo Guerra Marcelo Guerra
"O médico homeopata precisa tratar seus pacientes valorizando seus sintomas, mas principalmente identificando o quê nesse paciente precisa ser tratado para que as doenças não encontrem nele um terreno pronto para se instalar"

Em que se baseia a Homeopatia

A Homeopatia é um método de tratamento médico de mais de 200 anos, cujo pioneiro foi um médico alemão chamado Samuel Hahnemann. Nesse longo período, já passou por várias mudanças, algumas realizadas por seu próprio criador. Algumas mudanças posteriores fugiram tanto dos princípios fundamentais, que deixaram de ser efetivamente Homeopatia e tornaram-se outra modalidade de tratamento.

O princípio essencial da Homeopatia é que o semelhante cure o semelhante. Os medicamentos foram experimentados em grupos de pessoas saudáveis, que registraram as mudanças que ocorreram em seu corpo e sua mente. Depois esses registros foram coletados e organizados em grandes livros chamados Materia Medica, onde estão registrados os sintomas de cada medicamento homeopático.

Pelo princípio observado experimentalmente de que o semelhante cura o semelhante, Hahnemann e seus colegas empregavam o medicamento mais adequado para tratar doenças, o que consistia em eliminar os sintomas. Eles obtiveram bastante sucesso e logo a Homeopatia deixou de ser uma ciência restrita à Alemanha e espalhou-se pela Europa, EUA e Brasil. Esse é o uso mais básico e simples da Homeopatia: curar doenças, geralmente agudas, como amigdalites, abscessos, impetigos, conjuntivites, verrugas, infecções urinárias, gripes.

O ideal do médico homeopata

Hahnemann observou que alguns pacientes melhoravam rapidamente dos sintomas, mas voltavam depois de alguns meses com as mesmas queixas, ou bem parecidas. Ele notou que algumas doenças se aproveitavam de um terreno propício para se desenvolverem no organismo humano, e chamou esse terreno de Miasmas. Assim, algumas pessoas têm uma tendência a doenças de pele, outras têm mais tendência a doenças que produzem catarro, outras ainda têm facilidade em adquirir doenças que causem lesões graves como úlceras. Esse termo Miasma sofreu críticas e hoje já se prefere denominar Diáteses. Seja qual for o nome, o importante é a classificação de tendências de doenças que uma pessoa pode adquirir e desenvolver. Isso permite realizar aquilo que é o ideal de qualquer médico: a PREVENÇÃO. Ora, para um médico homeopata causa satisfação curar uma otite que faz a criança perder noites de sono devido à dor, mas muito mais satisfatório é elaborar um tratamento que elimine o terreno que faz essa otite acontecer de forma frequente.

O respeito à pessoa que está doente

Uma outra preocupação da Homeopatia é interferir o mínimo possível na vida das pessoas. A liberdade que cada um tem de escolher como vive, o que come, onde reside, precisa ser respeitada e apoiada pelo médico homeopata. Esse apoio se traduz em fazer tudo que está ao seu alcance para que o paciente melhore sem que necessite mudar seus hábitos, sem que precise retirar alimentos da sua alimentação rotineira ou retirar uma criança da escola. Um bom tratamento permite a prevenção de várias doenças sem que seja preciso fazer nenhuma restrição alimentar. É claro que, em raros casos onde haja alergia ou intolerância COMPROVADA a algum alimento, esse deverá ser evitado. Assim também, hábitos que todos sabem que vão prejudicar o paciente, como fumar, devem ser evitados a todo custo.

Um grupo de homeopatas achou que não era importante o diagnóstico clínico, ou seja, o nome da doença que o paciente apresenta. Concordo que hoje vivemos um momento de medicalização exagerada da vida, mas é importante dar nome aos bois. Tratar o paciente somente pelos sintomas, sem ter o nome da doença, dificulta a elaboração de um plano de tratamento preventivo que, repito, é o IDEAL buscado pela verdadeira Homeopatia. E mais, a Homeopatia é uma especialidade médica regida pelo Conselho Federal de Medicina e, como tal, nós médicos precisamos atuar sempre dentro de critérios que são exigidos de todas as demais especialidades.

O médico homeopata deve buscar equilibrar tanto o corpo quanto a mente de seu paciente, mesmo que seja uma criança. A criança já apresenta atitudes e comportamentos que permitem ao médico escolher o tratamento mais adequado dentro da Homeopatia. O paciente que busca tratamento para as otites de repetição não é uma orelha, é uma pessoa que tem orelhas. Essa pessoa sente dor, sente medo, se revolta com a dor, se fecha com a dor, deixa de comer, perde o sono ou dorme além da conta... Enfim, ela reage de uma forma que é SUA, individual. Portanto, o tratamento precisa levar em consideração quem é essa PESSOA que sofre, além da sua doença em si, para que seja plenamente eficaz.

O médico homeopata precisa tratar seus pacientes valorizando seus sintomas, mas principalmente identificando o quê nesse paciente precisa ser tratado para que as doenças não encontrem nele um terreno pronto para se instalar. Ele também deve evitar o máximo possível fazer restrições na vida dos seus pacientes, sejam de alimentos ou de hábitos, exceto quando esses forem reconhecidamente prejudiciais, como o cigarro. E precisa sempre ter em mente que a PESSOA que busca ajuda tem uma doença, pensa, sente, tem os seus valores e isso tudo precisa ser levado em consideração para um correto diagnóstico e tratamento.

Por: Marcelo Guerra

Marcelo Guerra é médico homeopata e acupunturista, além de terapeuta biográfico de base antroposófica. Atende em Nova Friburgo e Niterói, e organiza vivências de autodesenvolvimento.

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