26/09/2018

Xô passado

Vera Calvet Vera Calvet
"Memórias! Como podem ser traiçoeiras!"

Você já notou o quanto algumas experiências de passado, sejam elas positivas ou negativas parecem estar tão presentes em nossa vida ao ponto de invalidarem ou escurecerem os momentos presentes?

Uma experiência malsucedida de passado pode nos causar tanto medo de que aquilo se repita, a ponto de nos paralisar a ação ou nos fazer fugir de outras novas experiências no presente.

Assim como também uma experiência maravilhosa anterior pode nos fazer compará-la com tudo o que apareça em nossa frente, tirando também o brilho das novas possibilidades e conquistas no presente!

Memórias! Como podem ser traiçoeiras!

Você deve conhecer um ditado popular que diz: “Quem conta um conto, aumenta um ponto!”

Pura verdade! E nos mecanismos da nossa memória é exatamente assim também! Cada vez que trazemos uma experiência de passado à mente, aumentamos ou diminuímos pontos, conforme esteja o nosso humor e estado de espírito no momento! Em alguns momentos o que aconteceu anteriormente é gravíssimo! Mas em outros momentos, nem tanto! Repare e constatará quantas armadilhas terríveis a memória pode nos criar!

E no entanto, o passado, assim como o futuro, não existem agora! Não estão acontecendo agora, na nossa frente, no nosso momento!

O passado é feito de memórias. E memórias são apenas pensamentos. Não estão acontecendo no momento presente! Já o futuro é feito de vontades e sonhos. Mas sonhos também são pensamentos. Não estão acontecendo no momento presente!

Passado e futuro não existem concretamente! Pois são apenas pensamentos agora!

Portanto, lutamos e estamos sempre às voltas com pensamentos e não com situações reais!

Na verdade, só existimos de fato no presente. Que é o único lugar mental e físico, onde as ações se concretizam, onde os sentimentos nos tocam, onde a real beleza está à nossa disposição! O presente, definitivamente, é o único lugar onde temos poder, vivemos e existimos de fato!

A memória pode nos enganar e nos prejudicar demais, caso invalide ou impeça a percepção de uma experiência atual! Tanto que podemos, inclusive, estar nos escondendo em uma experiência de passado, por medo de vivermos o presente! Medo de não conseguirmos controlá-lo! Isso porque o passado, bom ou ruim, pode nos parecer de alguma forma sob controle. Está lá! É algo já conhecido e portanto, mais seguro do que esse tal de presente que pode nos surpreender e fugir ao controle!

Acontece que, se não esse passado existe mais, na verdade também não existem o suposto controle e segurança que pensamos ter, não é mesmo?

Armadilhas, armadilhas!

Mas por que não conseguimos nos livrar tão facilmente de sentimentos do passado?

Talvez a resposta para isso seja que a insistência que o sentimento de passado tem em voltar, acontece por causa de nosso próprio sistema de autocura! Sim! O que acontece é que o pensamento que gerou o sentimento de passado não foi ainda compreendido corretamente! E ele volta para ser curado e melhor compreendido. Ele não volta apenas para ser revivido, sentido ou para trazer sofrimentos ou melancolias! Volta para ser entendido e transformado definitivamente!

O passado volta para nos libertar, não para nos atormentar!

Sempre podemos tirar um bom aprendizado das situações, por mais negativas que possam ser! E sempre podemos ter experiências prazerosas agora, por mais que as do passado tenham sido especiais!

Nesse sentido é que os vínculos com o passado precisam ser desfeitos! Precisamos estar livres para observar e aprender com o presente!

Viver o presente significa estar totalmente consciente de que cada ação terá consequências no futuro e que cada situação atual, teve nossa participação anterior. E que tudo o que podemos viver no presente pode ser maravilhoso e intenso, desde que nos mantenhamos aqui e agora! Atentos e gratos em nossa vida presente.

Pois é isso que a vida é: Um maravilhoso presente que recebemos todos os momentos!

Que tal viver sendo presenteado o tempo todo? Eu adoro!

Por: Vera Calvet

Vera Calvet é arquiteta, vice-presidente do Instituto Ráshuah do Brasil - Núcleo de Meditação e Terapias. Psicoterapeuta, escritora, instrutora de meditação e palestrante. Desenvolveu métodos terapêuticos voltados ao autoconhecimento e técnicas de Meditação, ministrados em todas as unidades do Instituto Ráshuah no Brasil e no exterior: http://www.rashuah.com.br

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