25/04/2018

Eu espero, tu esperas

Vera Calvet Vera Calvet
"Comece a andar ao lado do tempo! Ele se mostrará bastante amplo e suficiente, colaborando com você!"

Espero - do Latin, sperare - Significa ter esperança em; supor, ter como provável; aguardar, dar tempo; estar na expectativa.

Passamos a vida esperando por algo ou alguém, tendo expectativas com as coisas mais simples ou mais complexas. Natural, pois tudo na vida tem um tempo e uma sequência de eventos até o desfecho.

Algumas vezes esperar cansa, causa ansiedade. Mas tudo tem um tempo para acontecer, embora as perguntas continuem: Quando devemos agir e parar de esperar? Quando devemos esperar e parar de agir ansiosamente?

Não existem respostas corretas universais. Pois dependem de diversos fatores dentro de cada evento. Porém, não termos a sabedoria de observar e entender a real situação em que nos encontramos, pode nos fazer agir precipitadamente, atropelar ou paralisar e não trabalhar para a concretização do que desejamos.

E foi por não saber observar, esperar e fazer atentamente uma coisa de cada vez, que Márcia, uma de minhas alunas, que é professora coordenadora de grupos de pais de alunos em uma escola, se meteu em um problema.

Sempre muito ocupada, ela parecia achar que sua mente tinha tantos departamentos e funcionários eficientes, que podia apenas abrir uma porta de sua mente, jogar um problema para ser resolvido, voltar minutos depois pedindo a solução, ao mesmo tempo em que abria outra porta, jogava outro assunto em outro departamento mental, enquanto cobrava um terceiro. E fazia isso o tempo todo, com diversos departamentos diferentes de sua mente e de sua vida. E pensava ser muito eficiente!

Até que um dia, enviando um comunicado ao vivo a um grupo de pais de 120 alunos, convocando-os para uma reunião, ao mesmo tempo em que conversava com outros professores em outra tela aberta em seu computador, sua filha chegou a seu lado, choramingando.

Como sempre, Marcia achou que poderia responder e consolar a filha, escrever, ler e responder as mensagens dos pais, enquanto teclava com o outro grupo de professores.

A certa altura, ela teclou para uma das professoras, dizendo que estava aliviada por não ter que comparecer a essa reunião de pais, porque uma das mães, conhecida por seu ego e ataques de falta de educação, estaria presente. Márcia teclou à sua amiga, dizendo que não suportava a mulher e os motivos. E enviou. Já era tarde quando percebeu que havia teclado tudo isso na tela do grupo de pais.

Como consequência, após 120 pais lerem tal declaração da coordenadora, ela perdeu seu emprego e passou perto de ser processada pela mãe que havia criticado.

Amarga lição! Após o dramático evento, Marcia começou a trabalhar novos comportamentos mentais, buscando aprender a se relacionar com o tempo de outras formas, a deixar o comportamento imediatista de lado, a procurar dar toda a sua atenção a uma coisa de cada vez, assumindo a observação de que tudo segue uma sequência natural de eventos, e não será a impaciência que fará com que as coisas acelerem.

Não adianta querermos atropelar o tempo!

Correr atrás dele só vai causar estresse, pois o tempo é uma percepção mental, antes de tudo, e quanto mais corrermos, mais a nossa mente estará desatenta ao que fazemos. E o tempo continuará sempre a correr à nossa frente!

Comece a andar ao lado do tempo! Ele se mostrará bastante amplo e suficiente, colaborando com você!

Por: Vera Calvet

Vera Calvet é arquiteta, vice-presidente do Instituto Ráshuah do Brasil - Núcleo de Meditação e Terapias. Psicoterapeuta, escritora, instrutora de meditação e palestrante. Desenvolveu métodos terapêuticos voltados ao autoconhecimento e técnicas de Meditação, ministrados em todas as unidades do Instituto Ráshuah no Brasil e no exterior: http://www.rashuah.com.br

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