19/12/2017

Perguntas sobre o futuro

Felipe Tourinho Felipe Tourinho
"Assim como os chineses absorveram o melhor do Ocidente no que diz respeito à sociedade industrial e ao livre mercado, nós, ocidentais, podemos nos beneficiar de certos aspectos do sistema político Chinês."

Vemos no horizonte um período de grandes transformações simultâneas em vários campos, – científico, tecnológico, cultural, político –,que nos a leva perguntar sobre o futuro da humanidade. Recentes descobertas prometem revolucionar a vida na Terra.

A detecção de ondas gravitacionais vindas dos confins do universo é uma façanha científica que prova que o espaço-tempo se comporta como um campo e que a gravidade se deve a ondas que interferem nesse campo.

E vem aí o computador quântico, que, apoiado pela inteligência artificial, promete decifrar os enigmas que ainda restam no Universo. No mundo quântico, um elétron pode estar em dois lugares ao mesmo tempo e existe um fenômeno chamado de entrelaçamento, quando duas partículas se relacionam instantaneamente seja qual for a distância entre elas. A explicação para esse fenômeno é mais intrigante ainda : existem múltiplos universos paralelos. Vivemos não num universo, mas, sim, num multiverso. Essas propriedades podem ser aproveitadas para acelerar exponencialmente a capacidade de processamento das informações.

Prepare-se, também, nobre leitor, para ver entrar em ação as possibilidades da edição gênica. Há alguns anos, cientistas conseguiram gravar um texto escrito no DNA de uma bactéria. Agora fizeram isso com um filme.

Porém, antes de tentar imaginar as maravilhas que a posse desses conhecimentos pode proporcionar à nossa espécie, convém, contudo, nos perguntar: será que temos condições éticas para evitar que toda essa tecnologia se volte contra nós mesmos e destrua toda a humanidade?

Por outro lado, tudo isso pode nos levar a descobrir como otimizar a gestão dos recursos do planeta, a aprender como nos livrar das armas atômicas, como superar a era da queima dos combustíveis fósseis e, assim, evitar o aumento do aquecimento global, como nos prevenir do surgimento de grandes epidemias infecciosas. O que será do mundo do trabalho com a introdução de robôs dotados de inteligência artificial?

O que mais assusta é constatar o total alheamento das lideranças políticas de nosso país a propostas de desenvolvimento que olhem para o futuro e para as oportunidades de saída da estagnação econômica, social e existencial em que vivemos.

Eu, particularmente, penso que só conseguiremos sair desta situação se formos capazes de reimaginar nosso sistema político. Convido, então, o leitor a refletir sobre como as coisas funcionam na China. Assim como os chineses absorveram o melhor do Ocidente no que diz respeito à sociedade industrial e ao livre mercado, nós, ocidentais, podemos nos beneficiar de certos aspectos do sistema político Chinês.

Na China, a ênfase do sistema político não está na eleição, mas, sim, no recrutamento dos melhores quadros, principalmente entre os melhores alunos das melhores universidades. Seguindo os dados publicados pela edição do dia 26 de outubro de 2017 do jornal Folha de São Paulo, faço um resumo do sistema político Chinês.

Num país de 1,3 bilhão de pessoas, fazem parte do Partido Comunista Chinês 88 milhões de membros, ou seja, 6% da população. Cerca de 20 milhões de pessoas se candidatam anualmente. Uma média de 6% é aprovada. Os membros do Partido elegem os 2.287 componentes do Congresso Nacional, que se reúnem a cada cinco anos.

O 19° Congresso Nacional, que foi realizado em outubro deste ano, elegeu os 204 membros do Comitê Central, a maior autoridade do Partido Comunista Chinês, cujas reuniões são anuais. O Comitê Central elege as 25 pessoas do Politiburo. Elas se reúnem mensalmente e supervisionam as atividades do Comitê Central.

É do Politburo que saem os sete membros do Comitê Permanente. O presidente e o vice-presidente são escolhidos entre os membros desse grupo.

Voltando ao Brasil, chama atenção o desinteresse da grande maioria dos eleitores pelos temas cada vez mais complexos da atualidade. Muitos votam porque são obrigados. Muitos trocam seus votos por favores e favorecimentos. A política fluminense está se revelando especialmente triste nesse quesito.

O principal mérito do modelo chinês é não considerar o cidadão automaticamente eleitor ao completar 18 anos de idade. Ele tem que conquistar esse direito. O mesmo se dá em relação a quem se dispõe a concorrer a um cargo público.

Na raiz dessa filosofia política está o pensamento do filósofo chinês Confúcio (551 a.C. – 479 a.C.). Ao contrário dos profetas monoteístas, ele não buscava uma redenção pessoal numa vida após a morte, mas, sim, um código de conduta baseado numa educação que fornecesse homens que respeitassem os princípios confucianos: humanidade (altruísmo), cortesia ritual (respeito aos mais velhos e aos ancestrais), sabedoria moral, integridade, fidelidade, justiça, retidão e honradez.

Muito diferente dos princípios econômicos liberais de Adam Smith que pregam o instinto animal do empresário e a concorrência como a base de uma espécie de darwinismo social.

Por: Felipe Tourinho

Felipe Tourinho é médico homeopata e acupunturista

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