17/09/2017

Cremos na vida após a vida

Vera Calvet Vera Calvet
"Cada situação de nossa vida carrega consigo um ônus a ser pago e um bônus a receber! "

Ao contrário do que o título possa sugerir, não proponho uma reflexão a respeito da morte física ou da sobrevivência da alma.

Proponho uma reflexão a respeito do quanto acreditamos que possamos viver uma experiência, morrer para ela e tornar a viver outras, renascendo como pessoas modificadas e melhores.

Alguns pensariam: Claro! Nesse sentido, acredito em vidas após a vida!

Será mesmo?

Podemos aceitar de bom grado a ideia libertária de que devemos viver uma experiência, aprender com ela e virar a página para seguir em frente. Mas quantos de nós fazemos isso de verdade?

Por que alguns sequer se permitem mudar e crescer, ao menos uma vez, impondo-se verdadeiras mortes em vida?

Mudar pode ser assustador, pois pode nos dar medo de sequer nos reconhecermos! Mudar pode significar, para alguns, uma forma de morte do eu!

Medo por apego ao velho e conhecido eu, apego à suposta segurança do lugar conhecido, do trabalho e das pessoas conhecidas, das velhas atitudes e vida. Conhecidos, mas não necessariamente, bons e felizes! O conhecido pode nos parecer confortável, pois sob ele podemos pensar ter controle! E não percebemos, que na verdade, é a situação que nos controla!

O desapego positivo não é o egoísmo irresponsável! Não significa dar nenhuma cambalhota, largar tudo e todos, e partir para o Himalaia! Deixando um rastro de tristezas e responsabilidades nas mãos dos outros!

O desapego positivo é pegar a responsabilidade de nossas vidas, a verdade de nós mesmos e exercê-las de fato!

As corajosas pessoas que seguem seu verdadeiro eu, os seus talentos, amor e plenitude, não são as que jamais temem! São as que, mesmo temendo, vão em busca da vida plena! Não desistem de seus sonhos e acreditam que sempre existirá uma vida melhor após a vida!

Desapegar não é largar o que é importante para o nosso crescimento como seres humanos! É soltar as amarras, o peso excedente, fútil e desnecessário, os lastros que nos auto-impomos!

Se formos totalmente honestos conosco, ao fazermos uma lista de nossas reais necessidades, constataríamos a quantidade imensa de penduricalhos que carregamos! Penduricalhos emocionais, mentais e materiais! Somos acumuladores inconscientes!

Guardamos muito lixo!

Como, com tantos apegos e amarras, podemos pretender virar alguma página de nossa vida?

Precisamos fazer uma lista consciente! Ter plena consciência de nossas escolhas e o que é de fato importante para a nossa vida emocional, mental, material e espiritual também!

Temos muitas facetas de nós mesmos para cuidar! Qualquer sobrepeso é nefasto!

Cada situação de nossa vida carrega consigo um ônus a ser pago e um bônus a receber!

Quando a balança está equilibrada, sequer percebemos o ônus como sacrifício! É apenas algo a ser feito, de bom grado! Mas quando a balança desequilibra e pende somente para o ônus, tudo fica difícil, sacrificante e, o suposto bônus, não parece compensar! Esse é o nosso sinal para soltarmos os lastros, pois existe sobrepeso em nossa balança!

Não adie sua vida por muito tempo! Descubra o que está acumulando desnecessariamente, desapegue e viva diversas vidas!

Viver muito tempo pode não estar totalmente sob o nosso controle, mas viver bem está!

Por: Vera Calvet

Vera Calvet é arquiteta, vice-presidente do Instituto Ráshuah do Brasil - Núcleo de Meditação e Terapias. Psicoterapeuta, escritora, instrutora de meditação e palestrante. Desenvolveu métodos terapêuticos voltados ao autoconhecimento e técnicas de Meditação, ministrados em todas as unidades do Instituto Ráshuah no Brasil e no exterior: http://www.rashuah.com.br

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